Maysa ganha tributo acústico com grandes vozes

Intérpretes como Cauby Peixoto e Olivia Hime se reúnem no Memorial da América Latina para marcar lançamento do disco Esta Chama Que não Vai Passar

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 10h13

Diversas vozes de timbres, estilos e gerações se uniram em torno de um tributo a Maysa (1936-1977), Esta Chama Que não Vai Passar (Biscoito Fino), que tem show de lançamento nesta sexta-feira, 15, no Memorial da América Latina. O CD, que abre com Ouça na voz de Alcione, tem outras pedradas fortes como Meu Mundo Caiu, com Ney Matogrosso, e Adeus, com Cida Moreira. Dos 20 intérpretes do álbum, sete participam do show: Cauby Peixoto, Zeca Baleiro, Célia, Olivia Hime, Claudette Soares, Carlos Navas e Cláudya. O produtor do tributo, o pesquisador Thiago Marques Luiz optou por colocar apenas instrumentos de corda, em arranjos acústicos, a cargo do violonista Dino Barioni, como acompanhamento na maioria das faixas. É um dos acertos. A única que destoa é a que tem o piano elétrico de Leila Pinheiro. "Esse tipo de arranjo valoriza tanto a canção como a interpretação", diz Thiago. Ele, que já tinha trabalhado com Dino Barioni no belo CD de Célia, recém-lançado, quis promover "um encontro de gerações". "Desde Bibi Ferreira, Alaíde Costa e Claudette Soares que conviveram com Maysa, até os intérpretes mais novos que não a conheceram, mas gostam dela", observa. Daí a presença inusitada, mas interessante de Arnaldo Antunes, por exemplo. Outro trunfo do projeto é o equilíbrio entre clássicos (Ouça, Meu Mundo Caiu, Resposta, Adeus) e raridades de autoria da própria Maysa, como o samba Nego Malandro de Morro, que Fernanda Porto dá conta com charme, Quando a Saudade Vem, em interpretação tocante de Olivia Hime, e Nós, parceria inédita com o maestro Julio Medaglia, que ganha registro impecável de Célia e Dominguinhos. Outra parceria rara é Pra não mais Voltar (com Maysa), com o vozeirão de Leny Andrade fazendo a linha cool. As demais são assinadas por outros compositores, que Maysa consagrou com sua interpretação intensa e inesquecível. Destas, merecem destaque a esquecida Quando Chegares (Carlos Lyra), que Maria Bethânia desencavou e interpreta divinamente; Bom Dia, Tristeza (Vinicius de Moraes/Adoniran Barbosa), com Beth Carvalho; e Franqueza (Denis Brean/Osvaldo Guilherme), com Zélia Duncan. Cauby Peixoto e Edson Cordeiro ficaram com as duas estrangeiras, respectivamente Ne me Quitte Pas (Jacques Brel) e I Love Paris (Cole Porte). Desafio vencido. Maysa, esta chama que não vai passar... Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, 11-3823-4600. Sexta, 21 h. R$ 20

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