Maria de Medeiros faz show e apresenta filme na Mostra

Maria de Medeiros é a mais portuguesa das estrelas, com certeza. E sua carreira é internacional, pois como atriz ela é multilíngua, tendo trabalhado até em Hollywood, em inglês - foi a Anaïs Nin de Philip Kaufman em Henry e June. Maria faz hoje um show musical dentro da Mostra. E, no sábado e na segunda-feira, você ainda poderá assistir ao seu belo documentário Repare Bem, que levanta o véu da tortura no regime militar no País.

AE, Agência Estado

26 Outubro 2012 | 10h52

Repare Bem teve sua primeira exibição na Mostra na terça-feira, 23. Maria só havia apresentado o filme uma vez, aqui mesmo em São Paulo, em março, numa sessão fechada, para integrantes da Comissão de Justiça e Reparação. Ela diz que não esperava por aquela reação do público. "Quando se acenderam as luzes, em geral as pessoas saem correndo, se não querem participar do debate. Ficou todo mundo sentado, sem se mexer, em choque."

Ela resolveu contar as histórias de Denise Crispim e de sua filha Eduarda pelo aspecto humano, pelo que ambas sofreram e que revela a brutalidade das ditaduras militares na América Latina, envolvendo Brasil e Chile (a Argentina, também). Essa história possui, além do mais, conexões com a Europa, que é a base da própria Maria. Ela se admira como a história humana adquiriu uma dimensão política muito forte. "Está lá na tela, não há como fugir", avalia.

Para falar do show ela se reporta à história familiar. Seu pai, Antônio Vitorino de Almeida, é um grande músico, com uma extensa discografia em Portugal. Foi autor da trilha de Capitães de Abril, longa com o qual Maria ganhou o troféu Bandeira Paulista, o prêmio máximo da Mostra (para diretores estreantes). Ela conta que sempre gostou muito de música, mas, por nunca haver feito estudos musicais - como os demais integrantes da família -, sentia vergonha. "Perdi a vergonha e comecei a cantar e compor", resume.

O show desta noite é com as canções do CD Pássaros Eternos. Maria conta que os últimos dias têm sido intensos, e divertidos. Ela formou uma banda com músicos brasileiros. Tudo foi feito rapidamente, mas com a maior seriedade - e paixão. "Os músicos são ótimos e a gente se integrou perfeitamente. Poderia ter sido difícil, porque minha música dialoga com diversos ritmos. Tem influência de jazz, flamenco, fado, MPB."

E as letras? "Falam de tudo. Tem algumas políticas, que falam na crise econômica que assola a Europa e Portugal, e tem letras mais românticas, sobre o amor, como se fossem samba-canção." Ao conversar ontem com o repórter, ela acabara de ensaiar. "É o que mais tenho feito nos últimos dias. As letras foram escritas em várias línguas. Tenho trabalhado muito em Espanha, e havia letras em espanhol, que adaptei para o português do Brasil. Vai ser muito interessante testar a reação do público. Eu estou adorando."

O filme começa de forma estranha, com imagens de Um Dia Muito Especial, de Ettore Scola. "Ele foi muito generoso, permitindo que a gente usasse partes do filme, mas como os direitos não lhe pertencem, criou-se um imbróglio." Cenas de Sophia Loren, naquele prédio de apartamentos deserto, tentando chamar a atenção de Marcello Mastroianni, no apartamento em frente, para que ele a ajude a capturar seu o pássaro, que fugiu. O dia muito especial é aquele em que Benito Mussolini recebe a visita de seu colega alemão, Adolf Hitler. "As imagens foram selecionadas porque têm tudo a ver com a situação das mulheres no filme, mas a grande coincidência é que aquele apartamento pertence hoje a Eduarda Pitta, uma das protagonistas.

MARIA DE MEDEIROS - Hoje, 21h, show no MIS - R$ 20. Repare Bem, amanhã, 19h50, Cinemateca; 2ª, 14h, Cinesesc. Mundo Invisível, 2ª, 21h, na Cinemateca; 3ª, 17h30, no Reserva Cultural; 4ª, 14h, no MIS; 5ª, 22h25, no Espaço Itaú Frei Caneca.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo

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