DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Marcelo Calero critica gestão anterior do MinC pelas redes sociais e Juca Ferreira rebate

Atual ministro da Cultura disse que administração precedente foi 'irresponsável e incompetente'

O Estado de S. Paulo

27 Julho 2016 | 10h34

Atualizado às 22h15

Um dia depois das 81 demissões no Ministério da Cultura, o ministro Marcelo Calero voltou ao Facebook para se manifestar sobre o assunto. "Na tentativa desesperada de construir uma narrativa política, o pessoal raivoso insiste na tese estapafúrdia do "desmonte" do MinC", escreveu, em sua página oficial, nesta quarta-feira, 27. O ministro tinha uma entrevista coletiva marcada para esta quarta-feira no Rio, para falar da programação artística da Olimpíada, mas ela foi adiada para a sexta-feira, 29. Ele também se referiu à gestão anterior como "irresponsável e incompetente".

Nesta terça, 26, o MinC demitiu 81 funcionários ligados a diversas diretorias e instituições importantes de sua estrutura. As exonerações geraram críticas entre representantes do setor, que demonstrou forte resistência ao governo interino de Michel Temer.

De acordo com o ministério, as demissões fazem parte da “reestruturação da pasta e do plano de valorização dos servidores de carreira” e atendem a “uma demanda da sociedade civil por uma gestão republicana”, na qual os servidores concursados ocupariam os cargos de chefia. Oswaldo Massaini Filho foi confirmado como novo coordenador-geral da Cinemateca (ele não é servidor de carreira).

Calero ainda disse nas redes, nesta quarta-feira: "Desmonte, para mim, é uma gestão irresponsável e incompetente, que para além de preencher mais da metade dos cargos de confiança por apadrinhados políticos, permite que o orçamento do Ministério seja reduzido a míseros 400 milhões de reais - o menor da Esplanada - e deixa como legado uma dívida de mais de 1 bilhão de reais, incluindo inúmeros editais e fornecedores não pagos. Isso é desmonte."

Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura na gestão Dilma, respondeu às críticas, também via redes sociais. "O MinC não foi aparelhado. Estávamos montando uma estrutura republicana para tratar a cultura com a importância que ela tem. Entre os dirigentes do MinC, tínhamos simpatizantes do PSDB e de outros partidos de oposição, sendo que a maioria era sem partido e pouco afeita às lides político-partidárias", escreveu em sua página do Facebook. "Calero é um agente menor do golpe. O que popularmente chamamos de pau-mandado." 

Calero rebateu, mais tarde: "O ex-ministro Juca Ferreira, cuja trajetória pessoal respeito, usou as redes sociais para me ofender e atacar de maneira vil. Lastimo que assim tenha procedido. Considerar que adversários políticos são inimigos e buscar destruir reputações são duas das razões pelas quais atravessamos a maior crise de toda nossa história, produto da gestão da qual ele fez parte".

Na terça-feira, 26, Ferreira havia dito que as demissões comprometem a “capacidade de funcionamento” do ministério. “É uma tentativa malandra de cativar os funcionários de carreira com essa decisão superficial”, afirmou Ferreira, que classificou como uma “canalhice” a crítica do ministro ao que chamou de “aparelhamento” do MinC. “O senhor Calero não está preparado para ser ministro da Cultura. Ele não sabe para onde o vento sopra. Vai fazer o que mandarem ele fazer”, criticou Ferreira, também pelas redes sociais.

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