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Maratona musical

João Luiz Sampaio - O Estado de S.Paulo

29 Junho 2011 | 13h 57

O violinista Pinchas Zukerman abre com a Oesp no sábado a 42ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão

Com o violinista e maestro Pinchas Zukerman à frente da Osesp, será aberto no sábado o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Mais tradicional evento pedagógico da América Latina, ele será realizado até o dia 23 e vai ter apresentações em diversas cidades do interior - principal novidade de uma edição mais enxuta.

Com relação ao ano passado, o festival diminuiu - ao menos nos números. O orçamento total é de R$ 5,5 milhões, R$ 1 milhão a menos. Serão 55 concertos, ante 83 em 2010, realizados ao longo de 20 dias (no ano passado foram 29). Para o diretor artístico e pedagógico Paulo Zuben, no entanto, não há evidências de retrocesso - ou estagnação.

"As propostas artísticas continuam a se desenvolver", diz. "A introdução da música barroca e da produção contemporânea, por exemplo, se mantém, com mais concertos e master classes e a presença de grupos importantes, como o Quarteto Arditti, que não apenas se apresentará como dará aulas e vai interpretar obras de alunos de composição do festival. A ópera também está de volta, com A Flauta Mágica, de Mozart. Pela primeira vez teremos uma orquestra internacional, a Sinfônica do Porto, ao lado dos nossos principais conjuntos, com a Filarmônica de Minas Gerais e a Petrobrás Sinfônica", afirma.

A programação de Campos se equilibra entre a função pedagógica e a apresentação de grandes estrelas do cenário musical. Para Zuben, esses elementos precisam dialogar. "O festival permite trazer ao Brasil músicos importantes e é fundamental que eles atuem como professores, orientando os alunos. Na última semana, por exemplo, o maestro Frank Shipway esteve por aqui preparando um programa com a Sinfônica Jovem do Estado. É uma oportunidade única."

Zuben ressalta ainda dois eixos fundamentais na programação. O primeiro é a atividade da orquestra de alunos do festival. "Acredito que encontramos o modelo ideal, com a participação do maestro Claudio Cruz, que vai trabalhar com os jovens desde o início do festival, além de acompanhá-los durante a turnê pelo interior. Essa convivência é mais longa, não se resume a um ou dois concertos."

O segundo é o desenvolvimento da prática de música de câmara. "Há uma tendência a colocar todos os esforços na música sinfônica, estimulando os jovens a tocar em orquestras. O único mal nisso é acabar deixando de lado um repertório de câmara incrível, que é uma opção muito boa não apenas em termos de formação mas também de caminho profissional. Dessa forma, alunos e professores terão a oportunidade de montar programas e tocá-los. E, mais do que isso, vários conjuntos camerísticos, como os Zukerman Chamber Players, passarão ao menos uma semana em Campos, oferecendo uma vivência mais completa desse tipo de prática."

Sonoridade calorosa em programa com a orquestra de Roterdã

Crítica: João Marcos Coelho

ÓTIMO

As aveludadas cordas da Filarmônica de Roterdã transformaram num acontecimento musicalmente mais atraente o concerto da fria terça-feira na Sala São Paulo. Mesmo nos "tutti" da Quarta de Tchaikovski ou do Ensaio n.º 2 de Samuel Barber, sua sonoridade escura e adocicada sobressaía. Nas passagens mais líricas, tanto numa quanto noutra obra, essa característica tão marcante parecia envolver calorosamente a sala inteira.

Mas havia mais atrativos naquela noite. O regente norte-americano Leonard Slatkin, de 66 anos, regeu de cor. Pode ter adotado o costume depois do vexame público de março de 2010 nos ensaios de uma montagem da Traviata na Metropolitan Opera House de Nova York, quando cantores do calibre de Thomas Hampson e Angela Gheorghiu e os músicos perceberam que o maestro nem sequer conhecia a partitura. Slatkin justificou-se em seu blog: "Não faço ópera com frequência e jamais regi uma Traviata, mas como todos lá a conhecem bem, achei que poderia aprendê-la com os mestres. Nos ensaios, parecia que eu era o único que jamais participara de uma montagem dessa ópera. Percebi cenhos franzidos, sobrancelhas levantadas". Anthony Tommasini, crítico do New York Times, foi um dos que bateram forte no maestro: "Não parece a melhor ideia um maestro aproveitar a oportunidade de reger no Met para ‘aprender’ a Traviata".

O episódio arranhou-lhe a reputação. Até certo ponto injustamente. Afinal, Slatkin é ótimo regente quando rege o que conhece. Aliás, episódios semelhantes com maestros brasileiros também costumam ocorrer por aqui com certa frequência; o cidadão sobe ao pódio para ensaiar uma obra que simplesmente não conhece. Mas Slatkin comprovou suas qualidades no Essay n.º 2 de Samuel Barber, cujo centenário de nascimento foi comemorado em 2010. Barber é o típico compositor que pratica o que Liszt, radical em tudo que fez, chamou certa ocasião de "inovação permissível", ou seja, jamais corre risco de desagradar a alguém. As más línguas dizem que ele foi o único compositor no século 20 a sobreviver de seus ganhos exclusivamente como compositor.

Com Haydn, no século 18, isso só aconteceu no final da vida, quando o florescente e pioneiro mercado inglês de concertos o transformou numa superstar. Faturando bem pela primeira vez na vida em sua segunda turnê londrina, ele fazia de tudo para mimar e surpreender o público inglês - com uma diferença: ele era gênio acabado. Incrementou, por exemplo, com tambor, trompete e flautim a Sinfonia n.º 100, apelidada "Militar", só para levar o público ao delírio. Mas a obra não se reduz aos seus efeitos, como bem demonstrou a regência discreta de Slatkin. É inovadora no formato de seus temas, no desenvolvimento inesperado, na assimetria de construção.

E Tchaikovski? Bem, o compositor russo é um matador, sempre vai direto ao ponto. Explora como ninguém todos os recursos da orquestra. Já houve quem dissesse que depois dele era preciso mudar o teodolito da criação orquestral - pois ele levara aquela linguagem ao limite. Como não se encantar com o delicioso pizzicato ostinato do scherzo? Ou com o tema do destino que a todo momento nos lembra, com uma pitada trágica, do drama pessoal do compositor? Roterdã tem madeiras excelentes, assim como metais muito bons. As aveludadas cordas completaram uma vibrante leitura da Sinfonia n.º 4.

O Festival de Inverno de Campos do Jordão começa neste final de semana. De 1º a 24 de julho, dezenas de atrações de música erudita poderão ser vistas na cidade. Veja a programação completa:

PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL DE INVERNO 2011

Auditório Claudio Santoro

02/07 - 21h

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Regência e piano: Pinchaz Zukerman

 

03/07 - 11h

Orquestra Jovem do Estado

Regência: Frank Shipway

 

03/07 - 18h

Orquestra Exp. de Repertório

Regência: Jamil Maluf

Piano e gaita: Corky Siegel

 

04/07- 21h

Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto

Regência: Cláudio Cruz

 

05/07 - 21h

Pro Art Quartet e Convidados

Tuba: Roland Szentpali

Trompa: Bostjan Lipovsek

Trompete: Läszló Tóth

Trombone: Gyorgy Gyivicsan

Piano: Aron Rohmhányi

Trompete: Lászlo Borsodi

 

06/07 - 21h

Imani Winds

Flauta: Valerie Coleman

Oboé: Toyin Spellman-Diaz

Clarinete: Mariam Adam

Trompa: Jeff Scott

Fagote: Monica Ellis

 

07/07 - 21h

Professores do Festival

 

08/07 - 21h

Mozart Piano Quartet

Viola: Harmuth Rohde

Violino: Mark Gothoni

Piano: Paul Rivinius

Violoncelo: Peter Hörr

 

09/07 - 21h

Zukerman Chamber Players

Violino: Pinchas Zukerman

Violino: Jéssica Linnebach

Violino: Jethro Marks

Viola: Amanda Forsyth

Piano: Angela Cheng

 

10/07 - 18h

Orquestra Sinfônica Municipal

Coral Paulistano

Regência: Abel Rocha

Piano: Cristina Ortiz

Soprano: Adélia Issa

Contralto: Sílvia Tessuto

Tenor: José Antonio Palomares

Baixo: Carlos Eduardo Marcos

 

11/07 - 21h

Professores do Festival

 

12/07 - 21h

MMA'ALOT

Flauta: Stephanie Winker

Clarinete Ulf-Guido Schâfer

Oboé: Christian Wetzel

Trompa: Volker Grewel

Fagote: Volker Tessmann

 

13/07 - 21h

Het Collectief

Regência: Robert de Leeuw

Mezzo-soprano: Jacqueline Janssen

 

14/07 - 21h

Quarteto Arditti

Violino: Irvine Arditti

Violino:Ahot Sarkissjan

Viola: Ralf Ehlers

Violoncelo: Lucas Fels

 

15/07 - 21h

Orquestra Petrobrás Sinfônica

Regência: Isaac Karabtchevsky

Violoncelo: Antonio Meneses

 

16/07 - 11h

Orquestra Filarmônica de MG

Regência: Fabio Mechetti

Soprano: Adriane Queiroz

17/07 - 18h

Orquestra do Festival

Regência: Cláudio Cruz

Piano: José Feghali

 

22/07 - 21h

The University of Florida Chambers Players

Regente: David Waybright

Voz e violão: Welson Tremura

 

23/07 - 21h

Orquestra Sinfônica do Porto Casa da Música

Regência: Christoph Kônig

 

Praça do Capivari

 

02/07 - 12h 30

Coral da Fundação Bradesco

 

03/07 - 12h 30

Orquestra de Metais Lyra Tatuí

Regência: Adalto Soares

 

03/07 - 16h 30

Orquestra Jovem Tom Jobim - 10 Anos

Regência: Roberto Sion

Convidados: Paulo Jobim e Daniel Jobim

 

09/07 12h 30

Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo

Regência: João Maurício Galindo

 

09/07 - 16h 30

Orquestra Sinfônica de Santo André

Regência: Carlos Moreno

 

10/07 - 12h 30

Banda Sinfônica Jovem do Estado

Regência: Mônica Giardini

 

10/07 -16h 30

Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí

Regência: João Maurício Galindo

 

16/07 - 12h 30

Camerata Antiqua de Curitiba

Regente: Wagner Polistchuk

Soprano: Darci Almeida

Barítono: Marcelo Dias

 

16/07 - 16h30

Orquestra do Festival

Regência: Cláudio Cruz

Piano: José Feghali

 

17/07 - 12h 30

Ópera Estúdio EMESP

Direção:Mauro Wrona

Regência: Emiliano Patarra

 

17/07 - 16h

Banda Sinfônica do Estado de São Paulo

Regência: Marcos Sadao

Narração: Kid Vinil

Banda convidada: DR. SIN

Igreja de São Benedito

 

05/07 - 15h 30

Solistas de Paulínia

Piano: Claire Desért

Violino: Carmelo de los Santos

Viola: Horácio Schaefer

Violoncelo: Roberto Ring

 

07/07 - 15h 30

Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo

 

12/07- 15h 30

Música de câmara

Bolsistas do Festival

 

14/07 - 15h 30

Música de câmara

Bolsistas do Festival

Palácio Alto da Boa Vista

 

09/07 - 17h

Pablo Rossi - piano

 

16/07 - 17h

Álvaro Siviero e Convidados

Piano: Álvaro Siviero

Violino: Pablo de Leon

Violino: Ruda Alves

Viola: Alexandre de Leon

Violoncelo: Mauro Brucoli

 

Igreja N.Srª. da Saúde

04/07 - 15h 30

Camerata Fukuda

Regência: Ugo Kageyama

08/07 - 15h 30

Música de câmara

Bolsistas do Festival

 

11/07 - 15h 30

0Música de câmara

Bolsistas do Festival

 

15/07 - 15h 30

Música de câmara

Bolsistas do Festival

 

Igreja Santa Therezinha

 

03/07 - 15h 30

Núcleo de Música Antiga - EMESP

Regência: Luis Otávio Santos

 

06/07 - 15h 30

Quarteto Bosisio

 

10/07 - 15h 30

Coral Guri Santa Marcelina

Regência: Vitor Gabriel

Piano: Gustavo Fiel

Piano: Thiago Neves

 

Coral Jovem do Estado

Regência: Naomi Munakata

Piano: Israel Mascarenhas

 

13/07 - 15h 30

Música de câmara

Bolsistas do Festival

 

17/07 - 15h 30

Compositores do Festival

(Obras de bolsistas de composição do Festival)

Direção: Silvio Ferraz

Regência: Eduardo Leandro

Grupo de Câmara do Festival

 

Informações: www.festivalcamposdojordao.org.br