Magic Numbers embala canções de Caetano e Beyoncé

Para um Via Funchal quase vazio, grupo britânico arrisca letra em português e mostra pouca habilidade

Jotabê Medeiros, do Estadão,

27 Julho 2007 | 13h35

Terá sido o frio? Ou desconhecimento coletivo das atrações principais? Ou o preço do ingresso?   O fato é que apenas meia dúzia de gatos pingados apareceu na platéia do primeiro Festival Indie Rock - menos de um terço da lotação, de 6 mil pessoas -, na noite de ontem, para ver o grupo Magic Numbers. O quarteto britânico brindou a platéia com um karaokê bizarro de Baby, de Caetano Veloso (sucesso com Os Mutantes). Curiosa escolha: o grupo escocês Belle and Sebastian, em 2001, no Free Jazz Festival, também escolheu essa música para cantar em português.     Lá pelo meio do concerto, Romeo Stodart, guitarrista e líder dos Magic Numbers, anunciou que tentaria cantar na língua nativa uma canção de "uma lenda" da música brasileira, e atacou Baby. Tirando "gasolina" e "baby", não deu para entender uma palavra do que ele cantava, mas foi um momento bacana, pelo tom reverente (a menina do Belle & Sebastian sabia a letra e o significado).     O show foi aberto pelo bom rock derivativo dos cariocas do Moptop, que são competentes na sua deslavada homenagem aos Strokes. Ainda vivem de um grande hit, O Rock Acabou, mas têm personalidade e peito para cantar seu rock em português para uma platéia anglodependente. O paulistano Hurtmold, que veio a seguir, parecia um grande ensaio de orquestra, com afinação de instrumentos em público. Os músicos, em dado momento, fizeram percussão em todos os cantos do palco, mas esqueceram de tocar alguma nota.     Aí foi a vez do Magic Numbers, curiosa avis rara de um mundo perdido entre 1967 e o calçadão hippie industrial de Porto Seguro. Eles abriram seu show com This is a Song, a primeira música de Those the Brokes, seu disco mais recente. Depois, na sequência, veio Take a Chance, a terceira música do mesmo disco. A primeira parte do show teve ainda, desse álbum, You Never Had It. Essas escolhas deram uma esfriada básica na platéia, já que as canções novas não funcionam ao vivo tão bem quanto as antigas.     O grupo tem na hiperativa (e virtuosística) baixista Michele Stodart o seu ponto forte, mas ela tem de ser contida em alguns momentos: martela o baixo de modo inclemente mesmo quando a música pede mais introspecção. A outra vocalista, Angela Gannon, é muito boa, assim como seu irmão, o Magic Number calado, na bateria. O problema é de direção artística: os vocais, que são ótimos, de vez em quando exorbitavam do volume, e incomodavam os ouvidos.     Lá pelo final, antes do filé mignon (um set com as melhores canções do seu primeiro disco, Long Legs e Love Me Like You), o grupo resolveu mostrar uma das seis canções novas que já têm prontas para um disco que promete lançar ainda esse ano (o atual saiu há um mês; será que ouvi errado?): Fear of Sleep. Depois , veio Slow Down (The Way it Goes), também recente. Essa última parece uma daquelas canções do Pink Floyd que não têm data para acabar. Chateou um pouco, bateu um cansaço e torrou a paciência um outro tanto.   Depois, no bis, voltaram com Wheels on Fire, Mornings Eleven e fecharam com mais uma versão, Crazy in Love, da Beyoncé, de encomenda para massagear os ouvidos mais quebrados. Terminou o show e deu aquela sensação de que, do Magic Numbers, ainda é melhor ouvir os discos, onde os excessos são limados.

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