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Felipe Rau/Estadão

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Lygia Fagundes Telles emociona Pauliceia Literária

Edição teve ainda Scott Turow e Valter Hugo Mãe, entre outros

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Maria Fernanda Rodrigues ,
O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2013 | 21h54

Maior escritora brasileira viva, Lygia Fagundes Telles resolveu aproveitar o sábado ensolarado de início de primavera para dar uma espiada na Pauliceia Literária, que era realizada desde quinta-feira na sede da Associação dos Advogados de São Paulo, no Centro. Foi prestigiar a mesa das 11 h, que levava seu nome e tinha como objetivo debater sua obra e discutir o papel da mulher na literatura e na sociedade.

O auditório estava quase lotado. Os ternos e terninhos que acompanharam a plateia nos dias anteriores ficaram em casa. A poucos passos dali, no Largo do Café, os restaurantes entravam no clima de descontração e se preparavam para o almoço: feijoada com chorinho.

Antes que Ana Maria Machado, Beatriz Bracher e Luiza Nagib Eluf subissem ao palco, Lygia entrou no auditório ao som de aplausos e de gritinhos de uhu. Acenou para a plateia, deu bom-dia, mandou beijos. Sorriu para celulares e tablets que eram apontados para ela por alguns participantes que queriam levar uma recordação para casa.

Da primeira fila, Lygia, que estou Direito nos anos 1940, assistiu, atentamente, as três convidadas lerem trechos de seus livros e riu com a plateia em algumas passagens. Ana Maria Machado, sua colega de Academia Brasileira de Letras, escolheu o conto A Garota da Boina, mas não deixou de destacar As Horas Nuas, “um dos romances mais maduros e universais da literatura do século 20”. Advogada especializada em crime passional, Luiza Eluf leu Venha Ver o Pôr do Sol, conto que a fez lembrar de tantos casos reais de violência contra a mulher.

Beatriz Bracher confessou que leu As Meninas e não voltou mais à obra de Lygia. “Sei por que evitava. Era muito próxima”, disse. Para participar da Pauliceia, pegou os contos, e entre eles, selecionou Apenas Um Saxofone. Era uma outra face feminina. Agora, não mais a mulher que é seduzida e sofre, mas a que faz sofrer.

Terminada a leitura, Lygia, que foi só para assistir, pediu a palavra: “Cairia agora em prantos, mas não me esqueço do meu filho dizendo que jovem chorando é ótimo, mas uma velha é um horror.” Ela disse que gostaria de estar no palco, mas que era apenas “uma mulher de perna quebrada”. E começou a contar sua história e lembrar passagens curiosas de sua trajetória. Ela, que já não participa mais de tantos encontros como este, estava a vontade, e queria falar mais. Mas a palavra voltou ao palco, a conversa continuou lá em cima, e Lygia teve de ir embora. Saiu, aplaudida de pé e acenando para o público.

A passagem de Lygia Fagundes Telles foi um dos pontos altos da edição de estreia da Pauliceia Literária – um encontro que se mostrou intimista, idealizado pela Associação dos Advogados de São Paulo depois de uma conversa com a escritora Patrícia Melo e que teve curadoria de Christina Baum, uma das fundadoras da Festa Literária Internacional de Paraty. Na escolha dos temas que seriam abordados, houve uma preocupação maior em incluir mesas sobre literatura policial, gênero predileto dos organizadores.

Mas não foi só isso. Entre os convidados, o português de origem angolana Valter Hugo Mãe, que encantou a plateia e autografou, na tenda montada na frente da sede da Aasp, na rua Álvares Penteado, durante duas horas. A fila de Laurentino Gomes, que participou no sábado de uma mesa mediada por Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2, também estava concorrida. Participaram, ainda, o advogado-escritor-best-seller Scott Turow, William Landay, Marçal Aquino, Tony Bellotto, entre os outros.

Houve espaço para debater Shakespeare, com Rodrigo Lacerda e José Garcez Ghirardi, e Fernando Pessoa, com Jerónimo Pizarro e José Paulo Cavalcanti, que anunciou que seu Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia vai virar audiolivro narrado por Silio Boccanera e pelo ator Ricardo Pereira, que será Pessoa na obra. E espaço para experimentar. No encontro do escritor Ignácio de Loyola Brandão com o jurista Eros Grau, o assunto da conversa foi sorteado a partir de sugestões de leitores.

Edição de 2014 ainda é incerta, diz curadora

A Pauliceia Literária terminou ontem, com chuva, mas ainda sim com um bom público. A realização de uma segunda edição começa a ser discutida nesta semana pela Associação dos Advogados de São Paulo, que bancou o evento. Se optarem por ela, a curadora Christina Baum diz que devem ser mantidas algumas mesas que promovem o diálogo entre a literatura e o universo jurídico. “Mas também queremos ampliar a programação literária e criar novas mesas, como uma para discutir biografias, outra para música, e uma em homenagem a Mario de Andrade, que inspirou o nome da Pauliceia”, diz. Há outras decisões a serem tomadas – entre elas, o uso ou não de leis de incentivo fiscal.

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