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Lionel Richie promove a prometida noite de karaokê com 6,5 mil vozes em São Paulo

- Atualizado: 10 Março 2016 | 10h 04

Cantor voltou à capital paulista na noite desta quarta-feira, 9

Era como sintonizar numa rádio româmantica na madrugada. Hits  aos montes, corações partidos, outros esmigalhados, pedidos de desculpas, declarações de amor. Um especial noturno com o 'best of' de um dos maiores do gênero, ainda com fôlego de garotão, Lionel Richie. 

Mestre das baladas das FMs, hitmaker dos grandes, Richie voltou a São Paulo, nesta quarta-feira, 9, no Ginásio do Ibirapuera, com a turnê All The Hits, All Night Long, cujo título não poderia ser mais explicativo. Ali estão aquelas canções que o público embalou seus romances, nos momentos bons e ruins, desde os tempos em que o cantor norte-americano foi a voz do Commodores, nome de destaques dos tempos da dinastia da Motown. São 100 milhões de discos vendidos ao longo da carreira quase cinquentona, afinal. E não dá para ignorar um sucesso desses. 

Lionel Richie em SP
Lionel Richie em SP
E Richie não se coloca numa situação desconfortável de privilegiar canções de com, no mínimo, 30 anos de idade. Brinca e interage com todos os presentes. "Vou tocar todas as canções que mudaram as vidas de vocês", diz ele, sem modéstia, ao exibir o sorriso moldado pelo indefectível bigode. 

O público quer os sucessos? Ele entrega, e ainda se diverte com isso. "Estou percebendo que vocês estão cantando uns para os outros, e não estão me ouvindo cantar", brinca o hitmaker. "O que tudo bem por mim. Aliás, aproveito para pedir para que vocês cantem comigo essa próxima canção". E emendou Stuck On You, do clássico Can't Slow Down, segundo album da carreira solo, de 1983. 

É o álbum que comanda o espetáculo, por sinal. Dele vem aquelas canções que provavelmente eu e qualquer um que esteve na noite do Ginásio do Ibirapuera repetirão incessantemente no dia seguinte. É difícil prever qual delas será a escolhida, contudo. Stuck on You, Running With The NightPenny LoverHelloAll Night Long (All Night). Apostaria mais na última, mas não colocaria todo o dinheiro nela. 

Não é só de baladas que sobrevive uma performance de Richie. E nem mesmo o calor abafado do Ginásio, que em alguns momentos beirava o insuportável, foi capaz de segurar os movimentos suingados do cantor e banda na sessão de canções dedicadas ao soul do Commodores, como o encontro entre as musicas Brick House e Fire ou Lady (You Bring Me Up). "Uau, estou suando aqui", comentou ele. "Vocês não estão com calor, não?" 

Não era um show de soul, nem para se ficar em pé. Público permanecia espalhado em cadeiras em frente ao palco e nas arquibancadas no fundo e nas laterais. Enquanto Lionel também segurava o entusiasmo das canções mais sacolejantes do Commodores para privilegiar as baladas - os casais aos montes agradeceram, provavelmente. Da antiga banda, por exemplo, preferiu diminuir as batidas. Trouxe Easy, Still You, Oh No, Three Times a Lady e Sail On

Em tempo: bom ouvir uma boa performance de Easy. Em 2015, a canção foi executada por um debilitado Mike Patton no Rock In Rio, no Rio de Janeiro, depois de uma tenebrosa, perigosa e desastrada tentativa de saltar do palco e chegar ao público. 

Em tempo (parte dois): o Ginásio do Ibirapuera não tem estrutura e capacidade de receber uma performance como essa. Falta acústica. Graves somem - e o grave é o condutor tanto das canções mais românticas quanto daquelas com DNA dançante. A voz de Richie também sofre, perde a definição nas sílabas tônicas dos versos. Isso sem citar os ecos e reverberações que tiram a cristalinidade das canções mostradas no palco. 

De volta à perfomance de Richie. É divertido estar diante de um showman clássico, criado e escolado na trilha dos grandes do soul, sorriso presente, palmas para a plateia e que  pede para que o público cante os versos originalmente de Diana Ross em Endless Love

O trio mais poderoso foi deixado para o final, com sabedoria. Hello, All Night Long (All Night) e We Are The World, esta última já no bis. Hello é, de alguma forma, melhor do que a xará criada por Adele mais de 30 anos depois. Richie lapida o desespero sem exageros vocais, embora cante seus versos esperançosos, apaixonados, como poucos. All Night Long perdeu os ares caribenhos da versão original, isso a enfraquece, mas a festa de fato ocorreu como canta ele na faixa - mas não a noite inteira.

Richie vive uma boa fase. Foi homenageado no Grammy deste ano, teve destaque no festiva Glastonbury, na Inglaterra, em 2015. Há uma nova geração que está atrás de suas canções trintonas, garante. No Ibirapuera, não foi possível comprovar a teoria. Se a maioria não tinha a mesma idade do cantor (66 anos), também não se encaixava na casa dos 20 e poucos anos. 

Estavam presentes, afinal, aqueles que acompanharam os anos de ouro de Richie. Anos reverenciados pelo próprio cantor sem moderação. Não há o que se esconder ou disfarçar. Os hits estão ali, vivos e prontos para serem cantados. E, melhor do que ouvi-los nas madrugadas das FMs, é estar ali diante do próprio Richie, ao vivo. Até mesmo os fãs de selfies e vídeos registrados durante os shows, com aqueles insistentes smartphones erguidos a todo o momento, concordam com isso. Cantar com Richie em carne e osso é mais divertido do que acompanhar na rádio ou soltar a voz no chuveiro. 

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