Klaxons é a sensação do momento para dançar

Sai no País Myth of the near Future , CD de estréia do trio londrino

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h47

Ontem foi o Arctic Monkeys, no momento é Klaxons, para amanhã já tem um monte na fila. Todo mundo sabe como funciona a engrenagem voraz da indústria do pop-rock britânico e a mídia que o promove. Apesar dos contras, o NME (New Music Express) continua ditando a opinião dos críticos de rock do mundo todo. Aí você passa meses ouvindo falar até vomitar sobre uma tal nova banda "indie", que é o grande acontecimento, e quando vai ouvir bate aquele bode: ah, então tudo aquilo era só isso? Essa sensação rolou com o Arctic Monkeys, cujo segundo álbum, recém-lançado, só confirma que quem acreditou no hype meio que se sentiu no papel de mané. O jogo de cena se repete agora com o trio londrino Klaxons, que acaba de ter o álbum de estréia Myth of the near Future (Universal) lançado no Brasil. Não por acaso, o trio - formado por Jamie Reynolds, James Righton e Simon Taylor - é o novo queridinho NME. A partir daí Myth passou a figurar nas listas de álbuns mais esperados de 2007. É um bom CD, mas é melhor dançar com um pé atrás. Numa capa recente sobre o grupo, o NME cunhou esta frase debaixo de seu nome: "Este país precisa de nós", dita por eles. Bem, eles estavam se referindo à necessidade de fazer festa, mas se o título do álbum ("mito do futuro próximo") não for uma ironia, está confirmada a pretensão. Aí já perde a graça. Diz-se que, ao lado de New Young Pony Club e Shitdisco, eles são os expoentes de ponta da new rave, cujo rótulo também ressoa ironia. Na essência, Klaxons é uma banda de rock, fluorescent rock, mas traz influências da dance music dos anos 80 e do movimento rave britânico dos anos 90, com muito barulho de sirenes, apitos, certos floreios pseudo-experimentalistas e ecos de pós-punk. É uma mistura meio caótica, um passo adiante do Prodigy e do Chemical Brothers. Divertido para uma noite dançante (essa é a idéia), o CD tem canções eficazes para isso, como Two Receivers (hum, com certeza já ouvimos muito disso nos anos 80), Gravity’s Rainbow, As Above so Below (um aceno a David Bowie?), além de Forgotten Works e Golden Skans, de sonoridade mais "limpinha". Reynolds, Righton e Taylor formaram o Klaxons em 2005. O primeiro impulso veio com o single de Gravity’s Rainbow (que ganhou remix do Soulwax), mas a banda decolou mesmo como o single seguinte, Atlantis to Interzone. Ruidosos como os "macacos árticos", mas um tanto mais interessantes, eles ainda são apenas mais um no circo, mas em compensação têm um nome mais sonoro e ainda não desgastado por exaustivas alusões. Ainda não dá para saber se eles vão durar só até a próxima reposição de estoque de "novidades". Por enquanto vale a festa.

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