Ingleses ganham homenagem

Evento põe foco no Reino Unido, resgata Hitchcock antigo e recebe Julian Temple, que vai filmar aqui

LUIZ CARLOS MERTEN / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2012 | 03h09

Música e cinema têm estado ligados na carreira de Julien Temple e isso acontece mais uma vez no filme que o trouxe ao Festival do Rio. Ele veio mostrar Londres, Babilônia Moderna, que estreou mundialmente no quadro da Olimpíada na capital inglesa. Mas Temple aproveita a estada no Rio para ultimar os preparativos de outro filme que começa a rodar em novembro - no Brasil, e no Rio. O repórter comenta com ele que, no ano que vem, a Conspiração Filmes reúne diretores de todo o mundo para fazer Rio, Eu te Amo, nos moldes de Paris, Je t'Aime e I Love New York. Ele deseja boa sorte aos participantes, mas diz que esse tipo de projeto não lhe interessa. "São filmes muito superficiais."

Temple acrescenta que reviu o clássico Berlim, Sinfonia de Uma Cidade, de Walter Ruthmann. Admite que se desapontou. "O filme pertence a uma época em que as vanguardas estavam muito ativas no cinema. É formalista e ainda impressiona pelo ritmo, mas não tem alma." Justamente a alma é o que ele tenta colocar nas tela em seu documentário sobre Londres. "A cidade não é mais a capital do Império Britânico. Num certo sentido, Londres foi invadida pelos bárbaros. Virou um mosaico de culturas, de etnias e isso faz hoje sua riqueza. A diversidade. Foi o que quis colocar na tela."

E é o que também pretende fazer em Children of the Revolution, seu filme 'carioca', em que vai mapear a (r)evolução da música brasileira, desde a bossa nova até hoje. O Rio já é quase uma segunda casa para Temple, que tem vindo com certa frequência ao País. Ele rodou aqui, em 1978, The Great Rock and Roll Swindle e também She's the Boss, com Mick Jagger. Mais do que procurar locações, Temple costura a participação da RioFilme em Children of the Revolution.

O Festival do Rio 2012 está colocando o foco no Reino Unido. Ontem à noite, entre as ruas Hilário de Gouveia e Siqueira Campos, ocorreu na Praia de Copacabana a projeção ao ar livre de The Pleasure Garden, clássico silencioso (de 1926) de Alfred Hitchcock. A trilha sonora original de David Cohen foi executada ao vivo pela Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem. Hoje, também na praia, às 8 da noite, o festival homenageia os 50 anos de James Bond - e apresenta uma versão zero bala de O Satânico Dr. No, de Terence Young, com Sean Connery no papel do agente secreto criado pelo escritor Ian Fleming. Uma nova geração, que talvez já tenha se acostumado a ver Dr. No na TV e no DVD, vai ver agora, numa tela enorme, a bondgirl Ursula Andress sair do mar de biquíni e com aquela adaga na cintura.

Hitchckock, Julien Temple, 007. E as novidades do Festival do Rio? Quem também está aqui é Benh Zeitlin, o jovem (29 anos) autor de Beasts of the Southern Wild, que venceu o prêmio do júri na mostra Un Certain Regard e a Caméra d'Or no Festival de Cannes, em maio. O filme trata da relação entre pai e filha numa comunidade decadente da Louisiana. O elemento fantástico fica por conta dos seres monstruosos que irrompem da imaginação da garota. Zeitlin confessa - "Antes de qualquer outra coisa, até o esboço da história, eu já tinha esse lugar na minha cabeça. Beasts nasceu do meu fascínio pela região misteriosa que fica a sudoeste de New Orleans. É um emaranhado de pântanos, lagunas e ilhas, uma terra que vai desaparecer porque está sendo devorada pelo Golfo do México, pouco a pouco".

Se o lugar é fascinante, as relações entre personagens são complexas. Zeitlin baseou-se na peça de uma amiga, a dramaturga Lucy Alibar. O roteiro foi desenvolvido no laboratório de Sundance e ele transpôs a trama, da Georgia, para a Louisiana. "Sempre fui atraído pelo mistério de Louisiana Story, de (Robert) Flaherty", explica ainda.

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