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A eleição do novo presidente americano em novembro se encaminha para ser tão histórica quanto foi, há oito anos, a eleição do Barack Obama, um afrodescendente (de primeira geração, seu pai era africano) nascido no Havaí. O Baraca está chegando ao fim do seu segundo mandato e, nos Estados Unidos, ainda tem gente que discute se sua biografia não foi forjada e se ele tinha condições legais de ser presidente, tamanha a reação àquele fato impensável, um negro na Casa Branca. 

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Luis Fernando Verissimo

04 Fevereiro 2016 | 02h00

Se Hillary Clinton for escolhida como candidata do Partido Democrata à eleição, será a primeira vez na história que uma mulher chega tão alto na política americana. Já o mesmo ineditismo não se aplica à candidatura de Bernie Sanders pelo mesmo partido.

Outros socialistas, com ou sem aspas, como ele já chegaram perto da presidência, notadamente Eugene Debs, que, no começo do século passado, mobilizou sindicatos e outros insatisfeitos com o capitalismo selvagem que rugia na época e alcançou votações respeitáveis em duas eleições presidenciais. 

Outros candidatos progressistas ou francamente esquerdistas que passaram do traço nas pesquisas de intenção de voto foram Robert La Follette e Norman Thomas. Este último foi o candidato do Partido Socialista da América em seis eleições consecutivas. Teve a má sorte de ser contemporâneo de Franklin Roosevelt, que, na presidência, com suas medidas econômicas contra a recessão e sua legislação social, apelidadas de “New Deal”, sequestrou o voto de esquerda e tornou-se imbatível. 

A novidade da candidatura de Sanders é, antes de mais nada, ter chegado onde chegou, muito mais longe do que os “progressistas” de antanho (está praticamente empatado com a Hillary nas pesquisas) e o fato de a sua pregação contra a desigualdade e o poder de Wall Street ter encontrado ressonância entusiasmada – esta sim, inédita – entre os eleitores mais jovens. Um crítico declarado do capitalismo na Casa Branca seria sem dúvida histórico.

Donald Trump na Casa Branca não seria inédito. Uma presidência pela qual já passaram Richard Nixon e George Bush, só para ficar em recentes, não tem nenhum tipo de seriedade a ser ameaçada por outro bufão. Trump eleito seria histórico porque ele incorpora tudo que é lamentável na política – do poder do dinheiro à demagogia mais rasteira – na forma de autocaricatura, mas diz a verdade: se o que acontece na Casa Branca não nos afetasse tão diretamente, a perspectiva de Trump e sua cabeleira dourada na presidência não seria a mais divertida de todas? 

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