'Hemingway & Gellhorn', de Kaufman, é atração do HBO

Philip Kaufman faz parte do imaginário dos cinéfilos de todo o mundo graças a filmes como A Insustentável Leveza do Ser e Os Eleitos, mas seu público aumenta muito mais se você acrescentar que foi ele quem criou Indiana Jones. Kaufman escreveu o primeiro filme da série, formatando o dublê de arqueólogo e aventureiro, mas divergências com o produtor George Lucas levaram à sua substituição por Steven Spielberg.

AE, Agência Estado

26 Outubro 2012 | 10h22

O diretor foi ao Rio para apresentar Hemingway & Gellhorn na cerimônia de encerramento do festival. Deu entrevistas. Mas para a reportagem foi especial. A HBO, que produziu o filme e o apresenta amanhã, 27, à noite no País - às 22 horas -, reuniu Kaufman, seu filho e produtor e o astro Rodrigo Santoro para uma exclusiva, realizada num espaço mítico - a piscina do Hotel Copacabana Palace.

O cineasta tem adaptado escritores importantes (Milan Kundera, Tom Wolfe) e biografado outros (Henry Miller e Anaïs Nin em Henry e June, o divino marquês em Os Contos Proibidos de Sade). O que torna esses autores tão atraentes para Kaufman? "Ou eles contam histórias que são extraordinárias ou viveram vidas que são, elas próprias, extraordinárias", ele explica. O repórter arrisca outra interpretação - como personagens, os escritores escolhidos por Kaufman são quase sempre transgressores, não apenas contestadores. Colocam o tema do comprometimento, do engajamento social e político, e isso se faz por meio da tomada de consciência.

"Você define minha obra melhor que eu", diz o diretor, e ele abre um sorriso. "Consciência e militância sempre me atraíram, mas não são exatamente temas em alta nestes dias." Rodrigo Santoro, que faz um papel importante - mas ele não é Hemingway, interpretado por Clive Owen -, conta que Kaufman é o sujeito mais doce do mundo. "Embora se passe em vários países, numa verdadeira volta ao mundo, o longa-metragem foi filmado em estúdio e nos arredores de São Francisco. O tempo todo eu dizia a Philip que ele ia adorar o Rio. Mal ele chegou e o levei para ver um show de Gilberto Gil com o filho. Ele ficou muito emocionado." O próprio Kaufman conta: "Já sabia quem era Gilberto Gil, mas vê-lo tocar com o filho excedeu minhas expectativas. Foi mágico". O filho quase não fala - diz que o momento é do pai e de seu astro -, mas fornece uma informação importante.

Os últimos anos foram difíceis para Kaufman, que quase não filmou. Mas não foi por falta de inspiração nem mesmo por dificuldade de financiamento - embora ele diga que a experiência com a HBO tenha sido excepcional. "Nunca tive tanta liberdade em minha carreira." A mulher de Kaufman, mãe de seu filho, teve um câncer e ele parou com tudo para lhe dar atendimento. Uma história de amor clássica - unidos até que o morte os separou. Já a história de Ernest Hemingway e Martha Gellhorn é tumultuada. Viveram e se amaram no quadro da Guerra Civil Espanhola - na qual Rodrigo faz um líder republicano - e também em Cuba, mas o temperamento de ambos selou a separação litigiosa.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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