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Gucci inaugura espaço em Florença que reúne arte, moda e gastronomia

O restaurante do espaço, montado em um palácio de 1331, será comandado pelo superchef Massimo Bottura

Maria Rita Alonso, O Estado de S. Paulo

02 Março 2018 | 06h00

Se uma roupa tivesse gosto, qual seria? Depende da roupa, claro. Se fosse de uma peça da coleção da Gucci, que mistura influências barrocas e bizantinas com o hip-hop, mais o folclore mexicano e detalhes orientais, essa roupa não teria um só gosto, mas vários.

Todos eles misturados em um menu complexo e eclético. Foi dessa salada de estilos que partiu Massimo Bottura, considerado um dos melhores chefs do mundo, para criar o cardápio do Osteria Gucci, restaurante da marca recém-inaugurado em Florença

Localizado no antigo Palazzo della Mercanzia, um edifício de 1331, o Osteria faz parte do Gucci Garden, um complexo que reúne ainda espaços de exposição, sala de cinema, uma livraria e uma loja conceito com peças vintage e coleções limitadas, criadas especialmente para serem vendidas ali.

“Viajando pelo mundo, nossa cozinha interage com tudo o que vemos, ouvimos e provamos”, diz Bottura. “Com os olhos bem abertos, procuramos o inesperado e o próximo brilho.” Da entrada à sobremesa, as receitas sampleiam as culinárias italiana, mexicana, tailandesa e chinesa. O chef, que já foi amaldiçoado por mammas italianas por desconstruir e reinventar pratos tradicionais, mais uma vez subverteu todas as ordens. Os 10 pratos, servidos em pequenas porções, podem ser combinados entre eles de diversas maneiras, no esquema all-day (que, por sinal, está na moda), no qual os clientes são atendidos a qualquer hora do dia. 

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Mesmo com esse horário elástico de funcionamento, a fila de espera por uma data é longa – os pratos custam de 15 a 30 euros, preços bem mais baixos do que qualquer outro restaurante com um chef três-estrelas Michelin à frente. Entre os pratos, uma salada caprese em forma de buquê com tempero disponível em uma bisnaga que lembra uma pasta de dente, um hambúrguer (servido em uma caixa de papelão rosa pink da Gucci), o famoso tortellini de queijo parmigiano (um clássico do chef Bottura), língua em cubos com salsa verde, buns (pães cozidos no vapor) recheados de barriga de porco e bacalhau. “O restaurante lembra que Florença sempre foi um centro de intercâmbio cultural, particularmente durante o Renascimento”, diz Bottura.

As sobremesas são um outro capítulo cheio de charme – destaque para a piña colada, que transforma o drink em doce. O ambiente, por sinal, lembra uma bonbonnière, com paredes na cor pistache e estofados em veludo. “O luxo também pode ser expresso na ideia de comer”, declara o CEO da marca, Marco Bizzarri, que é amigo de infância de Bottura.

O palácio todo segue uma estética parecida. Seguindo pelos salões do térreo, estão as louças da Gucci, assinadas por Richard Ginori. Ali, cada xícara com um pires sai por 240 euros. As almofadas desejo são vendidas por mais de 1 mil euros cada uma. No espaço ao lado, está a livraria com revistas e livros curados pelo próprio Alessandro Michele, diretor criativo da marca, e idealizador do Gucci Garden. Pela variada temática das publicações dá para se ter uma ideia do universo do estilista, que vai da fotografia erótica à arte sacra, passando por botânica, peças de terror e contos de fada.

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Na loja conceito, Michele ativa diversas percepções, do visual ao toque, em peças em jacquard e seda com estampas que remetem ao Renascimento. Nas prateleiras ao lado, a ironia já característica do designer aparece nos pulôveres com desenhos de animais e cartoons, que têm um pé no kitsch (e fazem sucesso), assim como os jeans e as jaquetas bomber que dão o toque esportivo tão cultuado pelos fãs de Michele. 

Nos dois andares superiores, estão os vestidos e bolsas antigos da marca florentina, fundada em 1921, além de trabalhos de artistas e cineastas contemporâneos. Tudo com curadoria de Maria Luisa Frisa, chefe de moda e design da Universidade de Veneza.

Curiosamente, a sala com estampas florais típicas da Gucci é o único “jardim” do lugar – que foi batizado de Gucci Garden. O nome foi escolhido, segundo o estilista, porque a ambientação do palácio faz várias referências ao mundo natural das plantas, flores e animais, sempre em um sentido metafórico. “O jardim é real, mas pertence, acima de tudo, à imaginação”, diz Michele.

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