Gilberto Braga escreve fim de Paraíso Tropical

Autor da novela global diz que mostra o real com ´boa dose de glamourização´

Agencia Estado

14 Junho 2007 | 17h59

Muito se admiram com a velocidade dos acontecimentos em Paraíso Tropical, principal novela da Globo. O ritmo foi determinado mais pela necessidade do que pela técnica, uma vez que, a princípio, não vinha registrando a audiência esperada. Até agora, Gilberto Braga não entendeu o que aconteceu, mas o fato é que a aceleração fez a novela deslanchar, batendo às portas dos 50 pontos de média no Ibope. Mesmo enlouquecido com a montagem dos 20 e poucos capítulos que faltam para fechar a novela, Gilberto concedeu esta entrevista exclusiva, por e-mail. Nela, o autor diz que Paraíso Tropical representa o Brasil porque mostra "o real, com uma boa dose de glamourização, porque ninguém é de ferro". No seu ranking pessoal, em que posição você coloca Paraíso Tropical? Está no ar, neste momento, o capítulo 84. Nós estamos escrevendo por volta do 108. Ainda é cedo para eu ter uma idéia do lugar que Paraíso vai ocupar. Só mesmo no final vou ter uma idéia. Foi difícil superar as inevitáveis comparações a Manoel Carlos por causa da ambientação carioca, bossa nova, etc.? Não, eu já esperava por isso. É uma pena a Globo ter feito esta ordem (colar uma novela na outra), bem que eles tentaram fazer de outra maneira, mas não houve jeito. De qualquer forma, eu acho que o clima do Manoel Carlos é diferente do meu. O que é igual é o Cristo Redentor, fazer o quê? Os diálogos são o forte da novela. Como você consegue construir tanta conversa boa em todos os núcleos para colocar no ar todo dia? Ricardo Linhares e eu fazemos a história, revisão etc. Mas nós temos cinco escritores de primeira linha: Ângela Carneiro, Sérgio Marques, Maria Helena Nascimento, Nelson Nadotti e o incrivelmente bom estreante João Ximenes Braga. Assim, como nenhum deles tem de escrever cenas demais e podem caprichar. Qual o personagem que te dá mais trabalho e qual o que flui melhor no seu computador? A maior dificuldade em toda novela, ao menos para mim, é sempre o casal principal. Estou gostando bastante dos dois, mas é difícil. O que flui melhor no meu texto é o Belisário. Ele é um personagem parecido com vários que eu já fiz e ao mesmo tempo é novo. Adorei no capítulo de sábado quando ele disse: "existe coisa mais pobre do que a palavra praxe?" Não adianta dizer que todos são iguais, como fazem os pais. Mas qual é seu personagem predileto? Cássio. É um tipo de homem que eu acho bacana. Sem contar com a ótima interpretação do Marcelo Anthony. Você já descobriu por que a novela demorou a decolar no ibope? Não descobri. Já cansei de tentar entender. Eu achava boa desde o começo e olha que não sou fanático por novela. Record, SBT e Bandeirantes estão fazendo novela. Qual a avaliação que você faz do trabalho das concorrentes? Eu só consigo escrever e ver a minha, não tenho mais tempo pra nada. Às vezes, na hora do jantar, vejo um pouco da novela do Marcílio (Moraes, autor de Vidas Opostas, da Record) e me parece bastante boa. Passaram-se quase 20 desde Vale Tudo. Se fosse escrever um enredo que retratasse o Brasil de hoje, qual título você daria? O que está no ar: Paraíso Tropical. Que Brasil você quer representar na televisão? O real, com uma boa dose de glamourização, porque ninguém é de ferro. Como a novela que está no ar.

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