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'Gabi Quase Proibida', no SBT, vai falar sobre sexo

JOÃO FERNANDO - Agência Estado

20 Junho 2013 | 09h 50

Há quase uma década, Marília Gabriela tenta convencer executivos de emissoras que sexo é bom. Na televisão. Craque em conseguir declarações curiosas e íntimas de seus convidados, ela penou para arrancar um simples "sim" da alta cúpula do SBT ao tentar convencer a direção do canal a produzir um programa sobre o assunto. No Gabi Quase Proibida, com estreia marcada para dia 26 de junho, à meia-noite, a loira receberá convidados para contar experiências e debater o tema.

"É da natureza humana ter prazer pelo sexo. Atrás da hipocrisia, existe a culpa, que vem da religião. São assuntos que quero discutir. Só quero dar uma contribuição", afirma a apresentadora, que tentou emplacar a ideia pela primeira vez em 2004, após uma visita ao Museu do Sexo, em Nova York. Contratada da Globo na época, ela fez o pedido a Roberto Irineu Marinho, presidente das organizações Globo. Apesar da ligação com o alto escalão, a resposta foi negativa.

"Acharam que não era a hora. Poderia ser um serviço de utilidade pública e entretenimento", lamenta a apresentadora, que, nos anos 1980, esteve à frente do TV Mulher, atração da Globo que ficou na memória dos telespectadores por tratar de sexualidade. Com o entourage de Silvio Santos, a negociação foi mais fácil. "Não há limitação de assunto. Só houve resistência à palavra sexo (no nome do programa). Vendi a ideia por causa do horário. Levou um tempinho até eles entenderem."

O Gabi Quase Proibida tem o mesmo formato do De Frente com Gabi - que continua aos domingos -, mas a conversa vai sempre girar em torno do sexo, entretanto, nem sempre por um viés picante. "Quero passar pela indústria pornô, transexuais e virgens. Vamos falar de pedofilia e estupro", adianta. Na estreia, a loira receberá Ney Matogrosso.

"Ele é um ser libertário, mexe com as libidos masculina e feminina", derrete-se Marília, que, nas semanas seguintes, conversará com Daniela Mercury e o padre Beto Daniel, excomungado por falar sobre sexo fora do casamento e homossexualidade com fiéis. Ela jura que não terá censura nas perguntas. "Sempre perguntei tudo. Seria irresponsável da minha parte não fazer isso."

A atração por pessoas do mesmo sexo terá vez no programa. "Falamos da cura gay ontem (terça, 18). Podemos tratar da tolerância e aceitação. É hora de aceitarem as diferenças. As religiões estão promovendo uma caça às bruxas." Quem estiver do outro lado da tela, poderá enviar perguntas por e-mail e Twitter. "Além de aprender com o público, vou me divertir. Sexo move o mundo."

Marília Gabriela conta que sempre teve abertura para falar não só com as mulheres. "Trabalhei muito com homens, eles sempre me aceitaram tacitamente. Já me disseram que sou uma infiltrada. Eu me lembro de chegar para um amigo gay e dizer: ?Conta para mim do que homem gosta?. Eu usava como conhecimento. Sou bem resolvida", sentencia. A apresentadora, de 65 anos, diz que deixou de ser virgem aos 19. "Sou da geração da pílula, do amor livre. Nós nos divertimos antes de todo mundo, fomos os que ousaram."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.