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Fotos raras de guru indiano, por Cartier-Bresson, são expostas na Índia

ATISH PATEL - Reuters

20 Setembro 2012 | 12h 56

As imagens foram feitas apenas alguns meses antes de Sri Aurobindo morrer em 1950

NOVA DÉLI - Fotografias feitas por Henri Cartier-Bresson de um guru indiano nomeado para o Prêmio Nobel da Paz e sua companheira espiritual nascida na França estão em exposição em Nova Délhi, oferecendo um raro vislumbre da vida no ashram Aurobindo, no sul da Índia.

Mais de cem cópias de fotos de um álbum comprado em um leilão de Londres por um colecionador de arte indiana estão em exibição. As fotos foram feitas apenas alguns meses antes de Sri Aurobindo, fundador da comunidade na cidade francesa colonial de Pondicherry, morrer em 1950.

Amplamente considerado o pai do fotojornalismo, o fascínio de Cartier-Bresson com a Índia lhe permitiu capturar imagens marcantes do funeral de Mahatma Gandhi, em janeiro de 1948. Dois anos mais tarde, ele realizou um projeto menos conhecido, tornando-se a primeira pessoa em 30 anos a fotografar Aurobindo e sua companheira, conhecida como a Mãe.

As fotografias em preto-e-branco tiradas pelo mestre francês, que morreu aos 95 anos de idade em 2004, mostram Aurobindo dentro de seu quarto, e a Mãe interagindo com os devotos. Em uma série de imagens de Cartier-Bresson, a Mãe, nascida Mirra Alfassa, em Paris, é vista jogando tênis.

"É uma espécie de uma exploração de seu lado mais amador", afirmou Rahaab Allana, curador da exposição. "Ele é uma espécie de fotógrafo praticando, e não o fotógrafo já estabelecido que sabemos que Bresson era."

As fotos haviam sido mantidas fora da vista do público por décadas. Algumas das imagens foram publicadas na revista britânica Illustrated em 1951, mas a Mãe se opôs à maneira com que Aurobindo foi descrito no artigo que acompanha s imagens, no qual sua secretária pessoal descreveu como "indescritivelmente vulgar" em uma carta enviada a Cartier-Bresson.

Como resultado, a Mãe comprou todos os negativos de fotos por 3.000 dólares da Magnum Photos, agência cofundada por Cartier-Bresson, e imprimiu 50 álbuns que foram vendidos para os devotos.

"Você tira essas fotos e as distribui um tanto liberalmente, acho que a Mãe sentiu que não era essa a intenção original ao fazer as imagens", disse Allana. "Ela queria que elas fossem um testemunho e uma crônica das atividades que acontecem no ashram em si."

Em uma entrevista em 1990, Cartier-Bresson explicou que ele foi persuadido por Robert Capa, outro fotógrafo da Magnum, a vender os negativos por causa de dificuldades financeiras na agência.

"Foi uma coisa que eu nunca havia feito antes em minha vida, e nunca fiz de novo", disse ele.

Allana acredita que a coleção de fotos em exposição no centro cultural da Aliança Francesa é um "esforço de colaboração" entre a Mãe, que selecionou as imagens, e Cartier-Bresson.

Notas do fotógrafo de renome em seu diário pessoal durante a tarefa também estão em exposição, oferecendo uma visão sobre como ele e a Mãe, que morreu em 1973, estavam em desacordo sobre como capturar fotos do ashram e de Aurobindo em seu quarto.