Festival Música em Trancoso prova que veio para ficar

Uma incrível mistura de céu estrelado, lua cheia e repertório russo marcou sábado (23) o primeiro dia do Música em Trancoso (MeT), no sul da Bahia. Na segunda edição, o festival abriu sua primeira noite com um programa de mais de duas horas de duração, a cargo da Orquestra Juvenil da Bahia - Neojiba, sob comando do regente e pianista Ricardo Castro. Por mais de duas horas e com entrada franca, um público de 1.200 pessoas, entre moradores e turistas, pode viajar por um vistoso programa com obras de Tchaikovsky, Mussorgsky, Prokofiev, Rachmaninov, Koussevitsky. O MeT também celebrava uma outra conquista de sua curta existência: pela primeira vez suas apresentações, que se estenderão diariamente até o dia 2 de março, acontecem no espaço definitivo do festival. Ou seja, um complexo cultural parcialmente construído nos arredores de um campo de golfe, que já em 2014 terá dois auditórios em funcionamento - com 1.100 lugares cada espaço, um deles a céu aberto, outro fechado e com poço para orquestra, o que sinaliza a intenção do festival de ter óperas no futuro.

AE, Agência Estado

25 Fevereiro 2013 | 11h17

Fruto de uma entrosada ação da iniciativa privada, este festival caminha para a sua institucionalização. Em outras palavras, pretende ter vindo para ficar. Começou a ganhar forma em conversas informais de um grupo de habitués de Trancoso, entre eles, o empresário Reinold Geiger, presidente da Fundação L?Occitane, e o casal Carlo e Sabine Lovatelli, ela fundadora do Mozarteum Brasileiro. Dessas conversas, que acabaram por atrair outros empresários, alguns deles com casas de veraneio em Trancoso, nasceu a ideia de fundar uma instituição que não só tratasse de manter uma programação musical erudita para o local, mas também de articular todo um eixo pedagógico envolvendo crianças e jovens da região, naquela perspectiva adotada por um número crescente de países nos dias de hoje: a educação pela música. Se conseguir aprofundar esta vertente, como parece ser a intenção, o MeT de fato se consolidará como bem cultural, algo muito além do efêmero.

O que se vê hoje é que a expertise de Sabine, há décadas se movimentando no circuito internacional para montar as temporadas do Mozarteum, associada à determinação do grupo de empresários, tem possibilitado neste paraíso apresentações de alto padrão, aproveitando uma coincidência baiana que supera o mero fator geográfico. Ou seja, este é o Estado brasileiro de onde parte uma das experiências musicais mais frutíferas do País, o Projeto Neojiba, de caráter socioeducativo, hoje atingindo uma clientela com cerca de 350 mil jovens. Certamente é a melhor tradução, e aclimatação, do projeto El Sistema, criado décadas atrás na Venezuela pelo professor José Antonio de Abreu, projeto que já se tornou uma referência no mundo. Somando-se todos estes fatores, não é à toa que a abertura do MeT no último sábado, além de contar com a presença do governador baiano Jacques Wagner, trouxe também para a primeira fileira a ministra da Cultura, Marta Suplicy. Comentou-se que a decisão de ver o festival de perto foi da própria ministra.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.