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Feira de Buenos Aires celebra Quino e autores paulistanos

Ariel Palacios - Buenos Aires - O Estado de S. Paulo

26 Abril 2014 | 03h 00

Feira portenha homenageia produção intelectual da cidade com saraus, exibição de filmes e show dos Racionais MC’s

A mais prolongada feira do livro do mundo – a de Buenos Aires, que está em sua quadragésima edição – começou formalmente na quinta-feira na capital argentina com uma entrevista pública com o cartunista Joaquín Lavado, o Quino, criador de Mafalda, a "menina-filósofa". "Quando alguém diz que não se interessa por política, essa pessoa está fazendo política. Negativa", afirmou Quino, que se autodefiniu como um "humorista político".

Na abertura do evento, um dos principais da América Latina, o cartunista também destacou que tirinhas que desenhou há 40 anos "parecem atuais", já que grande parte dos problemas mundiais continuam os mesmos. Segundo ele, "o humor nasce do senso crítico".

O cartunista relatou que sua vocação surgiu quando era criança e seu tio, Joaquín Tejón, mostrou-lhe as possibilidades de expressar-se por meio de um lápis: "É a mesma coisa na literatura... Com um lápis, podemos escrever Mein Kampf ou A Divina Comédia". O desenhista recomendou aos jovens cartunistas que visitem museus para se inspirar e que "leiam muito", Embora ateu, diz que leu a Bíblia em busca de diversão, e disse que ela tem passagens " divertidas".

Quino, uma figura de consenso dentro do leque político argentino, foi o escolhido para abrir a Feira, que em anos anteriores teve homenageados alvos de protestos. Em 2011, o Nobel Mario Vargas Llosa foi criticado por kirchneristas e chavistas.

A Feira do Livro de Buenos Aires, que termina no dia 12 de maio, conta com 45 mil metros quadrados nos edifícios da Sociedade Rural. Neste ano terá, entre seus convidados J.M. Coetze, Paul Auster, Leonardo Padura e Arturo Pérez Reverte.

Julio Cortázar é o homenageado do ano em que se comemoram o centenário de seu nascimento (na Bélgica, em 1914) e os 30 anos de sua morte (em Paris, em 1984). Outra figura que contará com diversas edições de sua obra é o colombiano Gabriel García Márquez, autor de Cem Anos de Solidão, morto na semana passada.

A Feira do Livro também é embalada pela polêmica gerada por Maria Kodama, viúva do escritor Jorge Luis Borges, que quer proibir a publicação de obras do marido em sites na internet. Kodama pediu à Justiça uma blitz nas sedes administrativas do Google, Facebook e do site argentino Taringa em Buenos Aires.

Paulistano. Há ainda um destaque especial para os autores de São Paulo, primeira cidade brasileira a ser homenageada ali. Os eventos relativos incluirão 15 saraus literários de regiões periféricas paulistanas, entre os quais o Cooperifa, a Voz do Povo e a Poesia Maloquerista, e um show dos Racionais MC’s. A lista de convidados brasileiros inclui Arnaldo Antunes, Andrea del Fuego y Ferrez, Marcelino Freire, Marçal Aquino, Paula Fábrio, Emilio Fraia, Heloísa Prieto e Shirley Souza.

Dentro das atividades culturais, ocorrerá a exibição de 24 filmes do Brasil no Museu de Arte Latino-americana (MALBA).

Fontes da prefeitura paulistana indicaram que a previsão inicial era de que o estande de São Paulo na Feira colocasse à venda 5 mil livros. Mas, por causa das draconianas medidas do governo Cristina Kirchner para limitar a entrada de produtos Made in Brazil, os representantes somente conseguiram levar a Buenos Aires 500 obras.

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