Favela carioca é destaque na Bienal de Artes de Veneza

Trabalho de 300 m2 reproduz morro do Rio em escala 20 vezes menor

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 04h02

Veneza, a cidade rodeada por canais, é conhecida por muitos atributos, mas agora será conhecida também por sua representação de uma favela brasileira na Bienal de Artes de Veneza. A exposição, aberta neste domingo ao público, inclui pontos de tráfico de drogas, policiais, um hospital e até um campo de futebol, embora seja pelo menos 20 vezes menor que uma favela de verdade. O denominado "Projeto Morrinho", criado por moradores de uma favela de verdade do Rio de Janeiro, está entre os mais comentados na Bienal de Artes de Veneza, considerada como o prêmio Oscar de cinema para as artes visuais. Aqueles que estão por trás do projeto brasileiro se sentem constrangidos quando são chamados de "artistas". Para eles, tudo começou como uma brincadeira, na qual eles construíam sua própria versão de casas através da vida que eles observavam ao seu redor. "Nunca pensei que fosse arte. Nós só estávamos brincando", disse Maycon Souza de Oliveira, que iniciou o projeto com o seu irmão mais velho há quase uma década, quando tinha sete anos. "Agora estou convencido", acrescentou Oliveira. Seu modelo de favela no Rio de Janeiro tem 300 metros quadrados. Para fazer uma versão menor em Veneza, eles trouxeram do Brasil mais de 5 mil tijolos e usaram 120 metros cúbicos de areia. Eles levaram três semanas para construir a favela. Durante os últimos dias, a elite artística internacional chegou à Veneza para uma visita às apresentações da bienal, e teve a oportunidade de conhecer a rotina de uma favela. Artistas e críticos se maravilharam diante das ladeiras e casas coloridas, e tiraram fotos com os autores da obra. "Acredito que as favelas são uma parte importante do Brasil. Mas é uma parte escondida. Você não pode entrar lá", afirmou Silke Eberspacher, uma visitante alemã que esteve presente na pré+inauguração do bienal. Ela já visitou o Brasil quatro ou cinco vezes, mas como a maioria dos turistas, nunca colocou os pés em uma favela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.