Fatih Akin lança pontes entre as culturas alemã e turca

O diretor, que já venceu o Festival de Berlim, usa a música de Istambul para superar diferenças entre Turquia e Alemanha em Atravessando a Ponte - O Som de Istambul

Agencia Estado

07 Junho 2012 | 03h38

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2005, com Head-On (Contra a Parede), Fatih Akin era um dos favoritos no Festival de Cannes deste ano, mas, no final, viu escapar a Palma de Ouro, tendo de se contentar com o prêmio (claramente de consolação) pelo melhor roteiro, atribuído a The Edge of Heaven. Como Contra a Parede, The Edge of Heaven também trata da oposição e do diálogo entre as culturas alemã e turca. O próprio Fatih nasceu em Hamburgo - em 1973 -, mas não é considerado 100% alemão por sua ascendência turca. Ele admite que sua obra tenta lançar uma ponte entre a Alemanha e a Turquia. Chama-se Atravessando a Ponte - O Som de Istambul o filme de Fatih Aklin que estréia nesta quinta, 7, na cidade, depois de integrar a seleção de Berlim no ano passado. O projeto surgiu quando Alexander Hacke fez a trilha de Contra a Parede, marcada, até pelo tema, por uma forte conexão com a música turca. Hacke, nascido em Berlim, em 1965, é guitarrista, baixista e cantor. Trabalha com música experimental e eletrônica. Ele compôs e gravou sua trilha com a orquestra de Selim Sesler. Em Berlim, no ano passado, disse que, como nenhum dos dois falava a língua do outro, precisavam usar a linguagem comum da música para se comunicar. "Veio daí a idéia de filmar Atravessando a Ponte, acrescentou Fatih. Briga de músicos Fatih Akin gravou e filmou (em película e vídeo digital) cerca de 150 horas de material. A montagem foi a mais trabalhosa de sua carreira - ele ficou sete meses na ilha de edição, montando seu filme. Embora a idéia fosse promover o encontro entre culturas, não foi uma convivência fácil. Os músicos turcos brigaram entre si, cada um exigindo mais espaço para sua apresentação. O percussionista Burhan Ocal terminou agindo como elemento desagregador. Muitos músicos se retiraram do projeto porque acharam que ele teria um espaço maior. No fim, o próprio Ocal foi suprimido na montagem. Um caso curioso foi o de Sezen Aksu. Ela se recusou a dar uma entrevista filmada para o diretor, mas, em compensação, ficou amiga de Fatih Akin e permitiu que ele usasse suas músicas na trilha. O diretor diz que não pretendeu fazer o Buena Vista Social Club da musicalidade turco/alemã, por mais importante que considere o resgate feito por Wim Wenders de nomes históricos - muitos andavam esquecidos - da música cubana. O próprio Fatih Akin fez a câmera de seu filme. Mas ele não atravessa a ponte só em busca de sons nem de músicos. Na verdade, o que está em discussão o tempo todo em Atravessando a Ponte - O Som de Istambul é a questão da identidade turco/alemã, essencial na vida e obra do diretor que, em pouquíssimo tempo, vem ganhando projeção nos maiores festivais do mundo.

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