Espetáculo recria sons e clima do sertão piauiense

Os sons, o clima, a terra e o cheiro do sertão do Piauí integram a autobiografia do coreógrafo Marcelo Evelin, cuja história impressa como marca de aço quente em seu corpo divide com o público paulistano, a partir de sábado. Sertão, espetáculo de dança que estreou em 2003 na Holanda (país onde Evelin acabou se naturalizando após passar os últimos 18 anos de sua vida), vai ser apresentado pela primeira vez na cidade, a convite da gerente do Núcleo de Dança do Itaú Cultural, Sônia Sobral. "Fiquei muito feliz com a oportunidade de fazer parte de uma mostra sobre autobiografias (a exposição Primeira Pessoa), o que eleva a dança a um status de obra de arte", diz Evelin. O primeiro passo dado pelo bailarino para a montagem do espetáculo foi reconhecer a topografia de seu próprio corpo. "Foi a partir do texto desenvolvido por um topógrafo, contendo os dados técnicos sobre o meu corpo, é que montei o espetáculo", conta Evelin. A bailarina Anat Geiger e os músicos Sérgio Matos (rabeca), Josh S. (bandolim e picape eletrônica) e Fábio Crazy da Silva (pandeiro e cavaquinho) não só dão forma ao "Sertão", como ajudaram na concepção através de pesquisas de campo, improvisações e sugestões. "Passamos um bom tempo numa cidade isolada do sertão do Piauí chamada Guaribas, conversando com pessoas, nos alimentando da fotografia, do clima, do movimento oferecido pela paisagem." Pelas andanças no sertão, Evelin e sua trupe encontraram Francisco Ribeiro, uma figura muito humana que acabou trabalhando como aderecista do espetáculo. O artesão, que já deve beirar a casa dos 70 anos, sobrevive há 30 anos da venda de seus "cachorros" que enxerga nos galhos das árvores secas. "Certa vez, ele pediu a um garoto para ir buscar os seus ?cachorros? e ele voltou de mãos vazias. O sr. Francisco foi com ele até o local novamente e mostrou diversos ?cachorros? que estavam ali nos galhos, prontinhos para serem retirados, mas que só ele teve a sensibilidade de enxergar", conta o coreógrafo. E nem precisa dizer que os cãozinhos utilizados como adereços no espetáculo de Evelin fizeram um sucesso estrondoso na Europa. Sertão, no entanto, não é um espetáculo folclórico, nem regionalista. "Falamos sobre sua essência, sem clichês." Da sonoridade nordestina fundida à música eletrônica, de sertanejos que vestem calças Adidas. Do mar que já alcançou o sertão. Sertão. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, (11) 2168-1776. Amanhã (8), 21 h; sábado, 19h30 e 21 h; domingo, 19h30. Grátis

Agencia Estado,

08 Dezembro 2006 | 11h54

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