Em 'Pax Romana' tudo vale para acabar com ameaça islâmica

História em quadrinhos criada por Johnathan Hickman restaura o poder da Igreja diante da ameaça islâmica

Adriano Marangoni, especial para o estadao.com.br,

23 Outubro 2007 | 12h45

No futuro, o Islã devastou o Ocidente e o cristianismo entrou em decadência em toda Europa. Um grupo de resistência no coração do Vaticano descobre uma maneira de reverter essa situação: mandar um exército fortemente armado ao passado para reescrever o futuro.   Este é o tema de Pax Romana, história em quadrinhos criada por Johnathan Hickman a ser lançada em novembro pela Image Comics. Idéia batida desde O Exterminador do Futuro, ela tem uma larga vantagem criativa: nada de sutileza. Na HQ, para restaurar o poder da Igreja (e do próprio Ocidente), deve-se eliminar seus inimigos no momento de sua fundação, no fim do Império Romano, sob o governo do imperador Constantino.   "Que tipo de mentalidade ia querer construir uma 'sociedade perfeita'?" disse Hickman ao site Comic Book Resources. Generais, bispos, soldados e cardeais, "[...] eles não são mocinhos, eu não faço mocinhos", falou o autor sobre seus personagens. "Há pessoas que acreditam em algo, mas isso não significa que eles acreditam nas coisas certas."   Na lógica de "os fins justificam os meios", Hickman acaba fazendo referência ao mote da HQ. Num momento em que a própria Pax Romana - espécie de paz armada entre Roma e seus inimigos nos limites do Império - estava em franco declínio, Constantino foi o soberano que oficializou o cristianismo em 325 d.C.. Com isso, transformou o que era um culto bastante popular em verdadeira religião. Nos séculos seguintes, o cristianismo foi o elemento catalisador para o surgimento da sociedade medieval européia, sendo o Islã a maior ameaça ao seu poder.   HQ politizada   Pax Romana mostra a tentativa deste moderno exército a serviço do Vaticano em erradicar a "ameaça islâmica" antes mesmo dela se tornar uma potência.   "Tenho lido muito Hegel", disse Hickman ao comentar como se preparou para escrever a obra. "[li também] A história do declínio e queda do Império Romano," obra clássica do historiador Edward Gibbon, "e todo livro de armaduras que consegui para aprender o que eles vestiam naquele tempo".   Além dos dois, Hickman disse ter se inspirado também em O Imperador-Deus de Duna, obra de Frank Herbert, de 1981. Politizada até o osso, a ficção científica ficou famosa por fazer um dos mais exatos retratos de um mundo marcado pelo messianismo e fatalmente levado ao colapso.   Um sistema de poder que guarda as sementes de sua própria destruição, mais do que uma interessante ficção, acaba, afinal, falando muito sobre o mundo em que foram criadas, verdadeiro atrativo da HQ.

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