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Em menos de uma hora, PM tirou foto com ator e tentou salvá-lo de afogamento

Solimões Costa Feitosa diz que não consegue tirar da cabeça frase dita por colega a Domingos Montagner: "ô, Santo, não morra, não"

Antônio Carlos Garcia, Especial para O Estado Aracaju

17 Setembro 2016 | 19h16

A alegria e uma tristeza muito grande tomaram conta do sargento da Polícia Militar de Sergipe, Solimões Costa Feitosa, 45 anos, e sua guarnição no intervalo de pouco mais de 40 minutos, na quinta-feira, 15, em Canindé do São Francisco, a 213 quilômetros de Aracaju. Alegria quando ele e os colegas posaram para uma foto ao lado dos atores Domingos Montagner e Camila Pitanga, protagonistas da novela 'Velho Chico'. Tristeza quando Solimões foi desesperado para águas do Rio São Francisco tentar resgatar o ator, que se afogava. Em tom de brincadeira, após o retrato, um dos policiais disse a Domingos, referindo-se ao personagem, alvo de ataques na trama: "ô Santo, não morra, não".

Solimões lembra que, naquela quinta-feira, estava seguindo a rotina de trabalho com sua equipe, percorrendo alguns pontos de Canindé. Um soldado novo havia chegado e ele estava mostrando algumas áreas da cidade que mais precisavam ser fiscalizadas.  Nas imediações do hotel, recebeu um aviso do gerente sobre o casal de atores.

"Assim que olhei para o Domingos, ele acenou para mim. Eles estavam num estacionamento e fomos todos até eles", conta. "Falamos da novela, ele todo sorridente, muito educado, assim como a Camila também. Eles iam embora, quando falei para tirarmos uma foto e fui atendido". A foto, que circulou rapidamente pelas redes sociais, foi tirada pelo soldado Santos e nela aparecem o sargento Solimões, o cabo Ozanito e o soldado Barbosa, ao lado de Camila e Domingos. "Foi uma alegria muito grande".

A foto foi tirada por volta das 13 horas. Às 14, quando passava com a viatura da PM em frente ao local chamado Prainha, avistou uma mulher pedindo socorro. Solimões foi ver o que ocorria e, num primeiro momento, não identificou Camila Pitanga. Tirou o cinto onde carregava a arma e as botas, pensando em se jogar na água. Os dois primeiros barcos que avistou não tinham condições de navegação. Um terceiro o levou até próximo a Camila que, desesperada, dizia que Domingos havia sido levado pelas águas.

"Ela dizia para salvar Domingos, porque ele tinha três filhos para criar", lembrou Solimões. "Coloquei ela no barco e demos umas voltas nas proximidades, porque poderíamos encontrar Domingos agarrado em uma das pedras que tem ali", afirmou. Mas a procura foi em vão e, de volta à terra firme, ele acionou o Corpo de Bombeiros e os salva-vidas da região.

Dos 25 anos que tem como PM, Solimões trabalhou 18 anos em Canindé do São Francisco, às margens do Velho Chico. Disse que já salvou muita gente da morte no rio, mas também viu outras morrerem. O policial, que também é ator profissional e atua nos grupos Coletivo Teatro de Mala e História em Cena, ambos em Aracaju, disse que não consegue tirar da cabeça a frase dita pelo colega ao ator. Ao menos na trama, a permanência de Domingos está garantida. Os autores da novela e o diretor decidiram neste sábado, 17, mesmo dia do sepultamento do corpo do ator, que Santo seguirá a história escrita até o fim.

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