Ecos de Macondo, a cidade de Cem Anos de Solidão

Gabriel García Márquez visita o local onde nasceu após 25 anos de afastamento

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h43

No dia 5 de junho de 1967 foram para as livrarias de Buenos Aires 8 mil exemplares da primeira edição de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, livro que encantou toda uma geração, inaugurou o ciclo do realismo mágico latino, indicou novos rumos à literatura da América Latina, foi traduzido para 40 idiomas, vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo e levou seu autor à conquista do Nobel. O ano de 2007 marca grandes efemérides para García Márquez: no dia 6 de março, ele chegou aos 80 anos de idade; em setembro, transcorrerão 60 anos da publicação de seu primeiro conto, La Tercera Resignación; em dezembro, vão completar-se os 25 anos da conquista do Prêmio Nobel de Literatura. A Real Academia Espanhola da Língua acaba de lançar uma nova e rica edição de Cem Anos de Solidão com uma tiragem de 1 milhão de exemplares, com um texto aperfeiçoado por García Márquez. "Pensar que 1 milhão de pessoas pudessem ler algo escrito na solidão do meu quarto, com as 28 letras do alfabeto e dois dedos como todo meu arsenal, pareceria, a qualquer mortal, uma loucura", disse ele, tenso, no discurso que leu no lançamento da edição, no Congresso da Língua Espanhola, em Cartagena, em presença do rei da Espanha, o ex-presidente Bill Clinton e os escritores Carlos Fuentes e Álvaro Mutis. Cem Anos de Solidão eternizou Macondo, a vila fantástica onde se desenvolve a história. Mas seus personagens, cenários e histórias são todos inspirados na terra natal de García Márquez, Aracataca, no Caribe colombiano. Lá, os sinais, cenários e personagens elucidam Cem Anos de Solidão - as histórias recolhidas pelo escritor convivem com outras que poderiam perfeitamente integrar um de seus livros. O avô que o criou, Nicolás Márquez, coronel da Guerra dos Mil Dias, é a encarnação terrena do coronel Aureliano Buendía em suas aventuras militares. As borboletinhas amarelas esvoaçam em Aracataca, prenunciando chuva. Mas a banana, em torno da qual se desenrolam as tragédias de Macondo, foi substituída, na economia do norte colombiano, pelo carvão mineral e pelo etanol da palma africana. García Márquez virou um superstar na Colômbia. Originalmente um homem de esquerda, amigo de Fidel Castro, na Colômbia ele não fala de política. Aos 80 anos, recém-saído de um câncer linfático aparentemente controlado, ele continua um bom gourmet, embora já não beba as generosas doses de puro malte que bebia no passado. Mas continua dizendo aos amigos: "Escrevo para ser querido pelos amigos."

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