Documentário sobre Hélio Oiticica é destaque na Mostra

A velocidade frenética das imagens de Hélio Oiticica, dirigido por César Oiticica Filho, é proposital. Premiado no último Festival do Rio como melhor documentário, o filme, que integra agora a programação da 36.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, apresenta vida e obra intensa do artista. "Hélio viveu pouco tempo, promoveu várias revoluções em 30 anos de trajetória", diz o diretor. Hélio Oiticica (1937-1980) é retratado, assim, como em "delírio" - ou em "Delirium Ambulatorium", para usar uma expressão que o próprio artista cunhou.

AE, Agência Estado

22 Outubro 2012 | 11h24

O criador referencial do neoconcretismo brasileiro é retratado no documentário por meio de sua voz, com destaque para seus depoimentos registrados em cerca de 12 filmes super-8 que Hélio mesmo realizou. Grande parte desse material é inédito, resgatado do acervo particular do artista, em posse de sua família. Como conta César Oiticica Filho, de 44 anos, seu tio já fazia "quase cinema" com seus super-8 e fotografias - o mais conhecido é "Agrippina É Roma-Manhattan", de 1972, sem dizer as projeções da série "Cosmococa", criadas com o cineasta Neville D?Almeida.

Mas é importante ressaltar que mais do que usar os super-8 de Hélio, o documentário recupera filmes importantes dos anos 1960-70 - como "Mangue Bangue", de Neville D?Almeida, "Câncer", de Glauber Rocha, o achado "sobrenatural" de "Mitos Vadios", e "Uma Vez Flamengo", que tem a participação de Hélio; traz imagens de arquivos - de Carlos Vergara, Jards Macalé e Jean Manzon, por exemplo -, apresentando o criador brasileiro e sua época por meio de uma cuidadosa e premiada pesquisa realizada pelo carioca Antônio Venâncio. O filme também utiliza imagens aceleradas feitas pelo diretor, fotógrafo e sobrinho do artista retratado; e coloca uma trilha sonora que tem como auge a gravação especial da música "You Don?t Know Me", de Caetano Veloso, por Jards Macalé.

Curador da obra de Hélio Oiticica e artista da "quarta geração" em sua família - geração artística que tem também como destaques o poeta e anarquista José Oiticica e o fotógrafo José Oiticica Filho -, César Oiticica Filho, prefere dizer que o filme que realizou é mais uma obra experimental do que um documentário sobre criador dos parangolés e das instalações penetráveis que visava a "uma vivência total do espectador" em sua obra. "Queria apresentá-lo no Brasil de uma maneira íntima, por meio de um discurso próximo. Ele fala da desintelectualização de sua obra", afirma o diretor do filme. Como vemos no documentário, Hélio Oiticica queria que "tudo fosse reduzido ao mais banal" - e no trajeto de sua "desmistificação", há passagens, até polêmicas, que se referem à relação natural do artista com as drogas e o sexo.

Por enquanto, o premiado documentário não tem um distribuidor comercial, mas César Oiticica Filho está bem otimista quanto à participação de sua obra no próximo Festival de Cinema de Berlim. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

HÉLIO OITICICA

Cinesesc - Segunda, às 14 h;

Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca - Dia 29, às 13 h.

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