Documentário mostra trajetória do grupo Dzi Croquettes

"Nem homem. Nem Mulher. Gente." Assim os Dzi Croquettes se definiam. Era uma gente extraordinária que, em plena ditadura militar, ousou quebrar a rigorosa censura vigente no Brasil com irreverência e graça. Pense em um bando de 13 homens peludos e escrachados que subiam ao palco em vestidinhos, meias-calças, saltos altíssimos, maquiagem pesada, piscando imensos cílios postiços em performances de dança, esquetes de comédia em espetáculo inclassificável, mas tão único que arrebatava fãs por onde passava.

AE, Agência Estado

16 Julho 2010 | 10h37

A irreverência foi tanta que por vezes foram proibidos de se apresentar no País. Mas caíram nas graças do público brasileiro e também do europeu, mais precisamente de Paris. É a história desta gente extraordinária que Tatiana Issa e Raphael Alvarez resolveram contar quando começaram, há quase três anos, as filmagens de "Dzi Croquettes", documentário que estreia hoje nos cinemas. Misturando docudrama e cuidadosa pesquisa de arquivos com entrevistas inéditas e uma edição apurada, já integra a lista de um dos mais premiados e bem recebidos documentários brasileiros da história.

Por falar em brasileiros, vale lembrar que Tatiana e Alvarez vivem em Nova York e não contaram com o apoio de investidores brasileiros para realizar o filme. "Foi muito difícil explicar nosso objetivo aos possíveis patrocinadores. E mais ainda entender os motivos dos ''nãos''. Afinal, queríamos contar uma parte da história recente do Pais que os mais velhos já estavam esquecendo e que os mais jovens talvez nunca conheceriam. No entanto, esbarramos muitas vezes no preconceito escondido em relação aos temas que o filme levanta, como liberdade sexual, aids. Só na fase de pós-produção conseguimos o apoio do Canal Brasil", comentam os diretores.

Prêmios, prêmios... Se os investidores não entenderam a proposta, o público entendeu e premiou. "Dzi Croquettes" estreou no Brasil no Festival do Rio, em outubro de 2009, e saiu de lá como o melhor documentário segundo o júri popular e o oficial. Levou também o prêmio do público na Mostra de São Paulo, no Cine Fest Goiânia, no Torino GLTB Film Festival, e no Los Angeles Brazilian Film Festival. "Para quem fez o filme em um esquema totalmente pessoal, com uma equipe reduzidíssima, depois do horário de trabalho, vê-lo estrear é já um prêmio", diz Tatiana, que é atriz com vasto currículo, mas hoje trabalha no mercado financeiro em Nova York.

Alvarez também é ator e hoje trabalha como corretor de imóveis. "Não vivemos só de cinema. Foi para contar histórias brasileiras que revelam que o Pais vai muito além dos clichês de carnaval, violência e futebol que fundamos a Tria", diz o diretor, que com a parceira Tatiana trabalha atualmente em um documentário sobre a Festa de Parintins e já produziu o programa Nova York Underground, que ia ao ar na TV Bandeirantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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