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Dez passeios gratuitos em São Paulo, por dez guias de turismo

Marcelo Osakabe - O Estado de S. Paulo

09 Junho 2014 | 18h 51

Da essência de perfumes a grafites de rua, confira a lista para fugir do mesmo na capital

Cansado de visitar os mesmos lugares em São Paulo? Não é exatamente simples sair do óbvio na capital paulista, que certamente tem muita coisa para fazer mas que nem sempre chega aos nossos ouvidos. Para tentar ajudar, pedimos a ajuda de dez guias de turismo ou grupos que organizam passeios turísticos por São Paulo. Cada um indicou um passeio que goste de fazer e que seja alternativo ou inusitado. E, claro: sem precisar colocar a mão no bolso!

Werther Santana/AE
Parque Luz, do lado da Estação de Trem e Metrô, foi mais chique que o Ibirapuera em seu tempo, afirma o guia de turismo Laércio Carvalho

1. Museu da Casa da Boia, no centro de São Paulo

Localizada ao lado do Metrô São Bento, a Casa da Boia é um imponente prédio em estilo art-nouveau construído no começo do século XX. Funciona até hoje como ponto de comércio - distribuidora de metais e materiais hidráulicos como a boia de caixa d'água que lhe deu o nome. O edifício foi restaurado entre 1997 e 2011, e abriga um museu que conta a história da loja e também do comércio daquela época. "Não é um lugar para ir a toda hora. Uma visita basta. Mas é gratuito, basta agendar uma visita", recomenda Jorge Eduardo Rubies, presidente da Associação Preserva São Paulo.

Rua Florêncio de Abreu, 123, centro. (11) 3325-0999. Visitas precisam ser agendadas com pelo menos um dia de antecedência

2. Mural do Jardim Edite, no Brooklin

O Jardim Edite é um conjunto habitacional construído onde havia uma favela, ao lado do cruzamento das avenidas Jornalista Roberto Marinho e Engenheiro Luís Carlos Berrini. Na entrada do conjunto, rodeado de prédios nobres, fica a praça Arlindo Rossi, um espaço que vem sendo ocupado por diversos coletivos culturais que organizam piqueniques, arte ao vivo, música e oficinas variadas para a população local. "A ideia é deixar o lugar mais bonito e criar um espaço de convivência para todo mundo", afirma Manuela Colombo, do coletivo Conexão Cultural. O destaque é o mural pintado e repintado por cinco artistas e que dá de frente para a Avenida Jornalista Roberto Marinho.

Praça Arlindo Rossi, no cruzamento das ruas Charles Coulomb e Araçaíba, Brooklin

3. Praça da Sé à noite

O interior da Praça da Sé passa meio despercebido pelos que entram e saem do metrô, inclusive porque o local ganhou fama de perigoso há um certo tempo. "Mas ele é lindo! Passear à noite pelas 14 esculturas contemporâneas e ver a fachada do Tribunal de Justiça, que é uma réplica do Tribunal de Roma, deixa tudo ainda mais bonito", garante Carlos Beutel, que organiza há nove anos a Caminhada Noturna pelo centro da cidade. "E ainda tem a fonte e a ponte da Sé, que são lindas." Beutel diz que o local ficou mais seguro por causa de uma viatura da polícia que fica estacionada no local, mas ainda recomenda fazer a visita em grupos. Quem ainda tiver em dúvida pode se juntar à caminhada organizada por ele, que sai todas as quintas, às 20h, do Teatro Municipal e passa ocasionalmente pelo local.

Praça da Sé, centro 

4. Beco das Corujas, na Vila Madalena

O Beco das Corujas, ou Parque Linear das Corujas, é um espaço que foi retomado depois de uma bem-sucedida ação dos moradores da região, que também fizeram uma campanha pelo site Catarse. "É menos conhecido que seu irmão Beco do Batman, mas também é uma enorme galeria de grafite a céu aberto", conta Flavia Liz Di Paolo, guia especializada no segmento de luxo que foi uma das primeiras a levar seus clientes para conhecer o grafite na capital paulista. O local ainda recebe uma programação recheada de oficinas, exposições e shows - então, vale a pena ficar de olho.

Praça das Corujas. Avenida Das Corujas, s/n, Sumarezinho

5. Rua Barão de Itapetininga, no centro

A Barão de Itapetininga já foi considerada a rua elegante de São Paulo, posição que foi ocupada pela Rua Augusta nos anos 50 e atualmente é exercida pela Oscar Freire. Desde o início do século XX ela abrigava lugares da moda, como a Confeitaria Fasano, o ateliê de costura Maison Madame Rosita, a Casa Levy de Pianos e outras lojas de artigos e serviços de luxo. Como o início de toda a riqueza da capital paulista está no café, muitos dos prédios construídos e que ainda continuam lá fazem menção ao 'ouro verde'. "Os adornos dos portões, os nomes dos edifícios, tudo lembra o café, porque o Centro de São Paulo cresceu em função dele e dos seus barões", afirma Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde.

Rua Barão de Itapetininga, centro

6. Canto gregoriano no Mosteiro de São Bento

O Mosteiro de São Bento celebra sua missa matinal acompanhado de um grande órgão, enquanto os monges entoam os tradicionais cantos gregorianos.  O dia mais concorrido é o último domingo do mês, quando o mosteiro abre as portas para um café da manhã acompanhado dos pães e quitutes feitos pelos próprios religiosos. "Filas se formam para comprar os pães", lembra Fátima Busani, dona da Andanças, agência de turismo, considerada a primeira a oferecer passeios a pé pelo centro da cidade. As guloseimas, claro, são pagas - mas o canto gregoriano está lá, de graça, todos os dias.

Largo de São Bento, s/n, centro. Missas com cantos gregorianos: seg./sex. 7h; sáb. 6h; dom. 11h.

7. A vista do alto do Martinelli

O horizonte de prédios sem fim é uma visão bastante impactante na capital, e alguns edifícios bastante conhecido oferecem o passeio ao topo, como o Edifício Altino Arantes (Banespa) e o Edifício Itália. "Mas, no Martinelli dá para subir praticamente todos os dias, é grátis e não tem aquelas filas quilométricas", diz Rafael Rafael Freitas, responsável pela SP Free Walking Tour. Ele conta que, além de ser permitido ficar lá mais tempo do que nos outros lugares - de 20 a 30 minutos contra 5 minutos -, "tem também o Cabral, funcionário do prédio que é uma atração a parte", pois conta várias histórias deste histórico arranha-céu de São Paulo.

Rua São Bento, 405, centro, (11) 3104-2477. Visitas: seg./sex, 9h30/11h30 e 14h/16h; sáb. 9h/15h; dom. 9h/13h

8. Exercitar o olfato no Espaço Perfume Arte + História

O "museu", administrado pela Faculdade Santa Marcelina em conjunto com o grupo O Boticário, conta a história do perfume no Brasil e no mundo, além de fazer um paralelo com a evolução da moda. "O Espaço Perfume é um dos lugares mais charmosos da zona Oeste. A graça dele é a interatividade. Você aperta vários botõezinhos para sentir o cheiro de perfumes diferentes", relata a guia de turismo Vera Lúcia Dias. Outro destaque é a Pirâmide Olfativa, um equipamento importado da França que explica as três dimensões do perfume: notas de saída, corpo e fundo. A explicação é acompanhada de vídeo, áudio e das fragrâncias que são exaladas pelo próprio equipamento.

Rua Doutor Emílio Ribas, 110, Perdizes, (11) 2361-7728. Ter./sáb. 10h/18h; qui. 10h/20h; dom. 12h/18h.

9. Parque da Luz

O Parque da Luz é aquele grande espaço verde ao redor da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Muita gente vai ao museu - e também ao Museu da Língua Portuguesa - e deixa passar batido o local, que foi a primeira área verde pública de São Paulo, inaugurada início do século XIX. "O Jardim da Luz era o Ibirapuera do seu tempo", afirma Laércio Carvalho, guia de turismo desde 1980. "Mas foi se degradando juntamente com o resto da região até o final da década de 1990, quando passou por obras de recuperação. Os destaques são o jardim em estilo inglês, o lago em forma de cruz de malta, o coreto projetado pelo arquiteto alemão Maximilian Emil Hehl - o mesmo que projetou a Catedral da Sé - e o pequeno aquário localizado dentro da gruta artificial.

Praça da Luz, s/n, Bom Retiro. 9h/18h

10. Visita noturna ao Museu da Casa Brasileira

"Apesar de ser um pouco fora do circuito mais conhecido dos museus, é um dos meus favoritos na cidade. Fica num casarão antigo todo restaurado da Faria Lima e um jardim lindo", conta Nathalia Pires Souto, que faz parte do projeto Rent a Local Friend em São Paulo. A visita noturna pelo acervo voltado o design e mobiliário brasileiro é grátis, ao contrário do horário normal. E também vale a pena porque "dá para ir depois do trabalho e fazer um programa diferente no meio da semana". O único ponto  negativo é que o Santinho, restaurante do museu comandado pela chef Morena Leite, do badalado Capim Santo, raramente fica aberto até esse horário.

Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705, Jardim Paulistano, (11) 3032-3727. Quartas alternadas, 18h/22h.

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