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Corte israelense determina devolução de manuscritos de Kafka a biblioteca

Manuscritos estavam sob a guarda de Eva Hoffe, filha de Ester Hoffe, secretária de Max Brod, amigo do escritor

Com agências internacionais

15 Outubro 2012 | 14h41

JERUSALÉM - Um tribunal israelense determinou, no domingo, 14, que os manuscritos do escritor Franz Kafka, entre eles seu diário, atualmente em um acervo privado, devem ser transferidos para a Biblioteca Nacional de Israel.

Os manuscritos estavam sob a guarda de Eva Hoffe, filha de Ester Hoffe, secretária de Max Brod, amigo do escritor. Durante anos, ela e sua irmã Ruth defenderam que os manuscritos e documentos haviam sido um presente de Brod a sua mães.

A corte israelense, no entanto, concluiu que os documentos não foram um presente e, assim, pertencem ao espólio de Brod, deixado, em testamento, para a Biblioteca Nacional de Israel. Em um comunicado divulgado ontem, os advogados de Eva Hoffe afirmaram que vão recorrer da decisão.

O espólio de Max Brod contém milhares de manuscritos e documentos raros. "Após analisar o processo e as provas apresentadas, parece claro que que os manuscritos de Franz Kafka, assim como todo o espólio de Max Brod, não podem ser tomados como um presente", escreveu a juíza Talia Pardo Kupelman em sua sentença.

Segundo o jornal Haaretz, o governo israelense afirmou estar pronto para exigir a devolução dos manuscritos, que estão guardados em cinco cofres desde que o processo judicial foi instaurado. Entre os documentos, há enorme quantidade de cartas trocadas por Brod e Kafka com autores como Stefan Zweig.

O tribunal decidiu ainda que Esther Hoffe deverá arcar com os custos do processo. "Enfim os documentos de Kafka poderão ser expostos ao mundo, deixando a mão de pessoas que queriam apenas enriquecer por meio deles, contrariando os desejos de Max Brod, que sempre quis que esse material estivesse à disposição do público."

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