"Convites não param depois da novela" "Foram os papéis que me escolheram"

Você vem de uma família religiosa, presbiteriana. Tinha esse sonho do carnaval em Salvador?

O Estado de S.Paulo

18 Setembro 2014 | 02h06

O Vítor (o diretor Vítor Mafra) disse que o filme foi um sonho da gente, de cair na estrada fazendo o que nunca fez. No carnaval, costumava ir pra retiros e lá, se apaixonar não era prioridade. O bacana é que nossa equipe era pequena, muito unida. Viramos uma família. O filme foi feito no ano passado, durante as manifestações. Encontramos muita estrada bloqueada e houve uma pousada com tanta gente que éramos uns dez no quarto. Por tudo isso foi fácil entrar no clima.

Três amigos, uma garota e uma van. Que tal?

Acho que o filme é bem família. É inofensivo, sem palavrões e tem uma coisa ingênua ao expressar o imaginário do jovem. Fizemos muito à vontade, o que foi mérito do Vítor e do Marcelo Braga (produtor).

Como está sua vida depois do estouro na novela Império?

Estou tranquilo. Já tinha feito aquelas coisas ('Ídolos' e a novela'Rebelde'), mas orava a Deus para que algo acontecesse. Fui fazer o teste para ser um dos filhos de Alexandre Nero na novela. Fiz minha parte e percebi o burburinho. A assistente que comandava o teste falava no ouvido da outra. Pensei comigo - deu m... Mal sabia eu que estavam me considerando para ser o próprio Zé Alfredo quando jovem.

Você consegue sair na rua sem ser assediado?

Evito alguns lugares porque sei que vai rolar um agito, mas estou conseguindo levar.

E os convites?

A Globo me ofereceu um contrato de longa duração e já estou na próxima novela de Gilberto Braga, Babilônia. É um autor que sempre me interessou muito. Vou fazer o filho das lésbicas Fernanda Montenegro e Natália Timberg. Desde que apareci na novela, recebi dez convites para filmes, mas estão batendo com a novela. Só pude aceitar dois. / L.C.M.

Como foi encarar o desafio de fazer um filme de terror?

O desafio do (Tomás) Portella foi mostrar que a gente conseguiria fazer um filme de suspense de padrão internacional. Isolados tem um suspense bem forte, puxando para o terror. E tem um roteiro muito legal da Mariana (Vielmond, filha de José Wilker).

Digamos que o desafio do filme começa pelo roteiro. Como lidar com estereótipos de terror?

Eu acho que a Mariana escreveu o filme mais como suspense psicológico e o Tomás (diretor) é que imprimiu a pegada de terror. Foi divertido de fazer porque, quando a gente queria recuar, achando que estava indo para o clichê, o Tomás pedia para ser bem clichê. Ele assumiu que estava fazendo um filme de terror nos moldes tradicionais e foi fundo. Mas o roteiro da Mariana é intrigante. Os personagens são estranhos. Temos a pretensão de entender o ser humano e achar que sabemos tudo sobre as pessoas, mas na verdade não sabemos o que se passa na cabeça dos outros. O ser humano é sempre surpreendente, para o melhor e o pior. É o que também vai mostrar a minissérie (de Glória Perez), Dupla Identidade.

E você faz história - um filme de terror e um assassino em série. É para mudar a imagem?

Não busquei os papéis, foram eles que me encontraram. Claro que, como ator, quero fazer coisas diferentes, não ficar na mesmice. Dupla Identidade também joga com a estranheza das pessoas. O cara bonzinho do escritório, na verdade, é um monstro que caça e mata mulheres. O cinema americano investe nesse personagem, mas queremos mostrar que também podemos fazer, e bem.

Com Mato sem Cachorro, você entrou para o grupo dos atores de um milhão de espectadores. Que tal?

É a maior responsa. E eu espero continuar fazendo coisas que me intriguem e atraiam o público. / L.C.M.

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