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Concluída restauração do "Davi" de Michelangelo

Agencia Estado

24 Maio 2004 | 13h 49

A controversa limpeza da escultura Davi está pronta, com décadas de sujeira tendo sido arrancadas do tributo de Michelangelo à beleza da nudez masculina, antes da comemoração dos 500 anos da obra prima, que está na Galeria Accademia de Florença, onde é banhada pela luz do sol através da cúpula. A restauração da escultura do jovem herói bíblico que derrotou Golias foi reiniciada em setembro depois de um início conturbado, quando a restauradora original desistiu da tarefa por causa de divergências de como deveria ser feita a limpeza. O Davi atrai 1,2 milhões de admiradores por ano, fazendo dele uma das obras de arte mais visitadas do mundo. Um exame minucioso mostrou o que pareceu ser a fragilidade dos tornozelos da estátua, que suportam 5.572 quilos de peso. Estão sendo feitos projetos para discutir o que fazer para assegurar a estabilidade da obra de 4,1 metros. Após a restauração, ?Davi continua o mesmo, a única mudança foi em sua luminosidade?, disse a restauradora Cinzia Parnigoni, que trabalhou por meses em um andaime, aplicando na peça polpa de celulose e barro, para absorver a poeira. Uma veterana na restauração de arte renascentista, que usou água destilada para limpar a série de esculturas não terminadas de Michelangelo, Prisioneiros, Cinzia substituiu uma outra importante restauradora, Agnese Parronchi, para quem a água poderia danificar a superfície da obra. Agnese, que foi colega de classe de Cinzia na renomada escola de restauração de Florença, Opificio delle Pietre Dure, queria escovar a sujeira, numa limpeza a seco. ?Seria presunçoso esperar aplacar as polêmicas (sobre a restauração). Tentei fazer o meu melhor, mas tenho certeza de que alguém pode não estar feliz?, disse Agnese hoje. Com a sujeira removida, as veias salientes no ?braço direito de Davi parecem mais impressionantes. É como se um fino véu cinza tivesse sido removido da estátua?, disse o diretor da galeria Franca Falletti. Liderando um pedido mal sucedido para impedir a restauração estava James Beck, professor de Arte da Universidade de Columbia, conhecido pela denúncia de que a restauração dos afrescos de Michelangelo na Capela Sistina foi muito abrasiva. Foram removidos do Davi séculos de parafina de vela e marcas do tempo ? manchas de depósitos de sulfato ?, com um instrumento semelhante a um bisturi. Algumas manchas não puderam ser removidas, como o amarelado do pé esquerdo e marcas violetas nas costas, que podem ter sido causadas por algum tipo de fungo, disse Laura Speranza, uma oficial da Opificio que monitorou o trabalho. O Davi já foi objeto de outras controvérsias desde que foi mostrado ao público, em 1504. Em 1527, a estátua foi danificada durante uma manifestação na Piazza Signoria, a praça principal de Florença. A obra sobreviveu a uma limpeza com ácido clorídrico, em 1843, método não aceito por cientistas, engenheiros e outros profissionais que atualmente desenvolvem novas técnicas de restauração. A obra-prima foi instalada na galeria em 1863, onde ficaria protegida, mas, em 1991, um pintor italiano esmagou o segundo dedo do pé esquerdo da obra com um martelo. Diversas comemorações estão sendo preparadas em Florença para festejar o 500.º aniversário da obra, em setembro.

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