Com novo CD, Fagner estréia nesta sexta turnê em SP

Autor de clássicos como Borbulhas de Amor apresenta o disco Fortaleza

Agencia Estado

12 Junho 2007 | 03h47

Ele está mais moderado nas críticas, apesar de não deixá-las de lado. Dono de clássicos, como Borbulhas de Amor, Mucuripe, Noturno e Deslizes, ele continua falando de política, com ataques ao atual governo sem deixar de mencionar os oito anos do governo FHC. "Vamos falar de música ou de política?", questiona Raimundo Fagner, logo de início em entrevista concedida à Agência Estado. "Acho que o tempo está melhor para falarmos de política", ironiza ele, diante do escândalo que provocou a queda do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, antes de aparecer a outra denúncia que envolveria o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Agora vai se queimar um bando de gente ligado ao PMDB", disse ele, parecendo prever o desenrolar da história. Para o cantor e compositor cearense, pode-se pensar que, de fato, o "Brasil não dá certo". "É um escândalo atrás do outro e acho que não tem ninguém pra botar um cadeado", avalia. Ao ser indagado sobre a manutenção de Gilberto Gil como ministro da Cultura no segundo mandato de Lula, Fagner se esquiva. "Não queria dar opinião sobre isso. Deixa (para fazer as críticas) quem colocou Lula lá, quem foram os artistas que fizeram isso. Eu não quero meter minha mão sobre esse governo". Conhecido por manifestar abertamente suas críticas, ele admite ter pagado um preço por essa postura. "Estou pagando um preço por isso, de Caetano me chamar de fascista, meu irmão Chico Buarque me olhar meio de esguelha. Mas não tenho nenhum problema em manter minha opinião, em um País de maria-vai-com-as-outras", critica. Fortaleza Mas nem só a política dominou o tom da conversa. Em fase de lançamento de seu mais novo CD Fortaleza (Som Livre), que será apresentado nesta sexta-feira, 1, em São Paulo, no Credicard Hall, com repertório do novo disco e de grandes sucessos, Fagner discorreu também sobre o projeto e as canções escolhidas. O nome do disco partiu de uma homenagem à capital de seu estado natal, o Ceará. "Fortaleza está crescendo demais, tomando uma dimensão de Miami e as ações de quem a comanda parecem as mesmas de anos atrás", conta ele. Ainda assim, destaca o cantor, ainda há uma chance para reverter o rumo que ele chama de "descaracterização". "Fortaleza ainda tem intelectuais com voz, um passado cultural que ainda está presente", ressalta. Por esta razão, inclusive, canta a cidade de forma, assumidamente, romântica. "O meu disco é uma Fortaleza romântica. Portanto, cantá-la foi uma tentativa de mostrar como sempre foi Fortaleza, que ainda está lá, mas hoje está no rumo de ser descaracterizada", diz. Romances de lado, em No fundo dos Quintais, de Sivuca com Paulinho Tapajós, há um trecho em que diz "tempo em que o medo se chamou jamais". Seria uma forma de entoar uma esperança de um dia em que o medo poderá sair fora do vocabulário, frente as condições de segurança atuais? "Essa música foi feita há muito tempo. Nunca cantei essa música num show e vou cantar pela primeira vez aqui, em São Paulo. Como só tinha essa gravação com o Sivuca e minha mãe que tinha morrido gostava muito dela, eu gravei pensando nela. Gravei a música logo no começo do disco, antes da morte do Sivuca. Portanto, não foi nenhuma homenagem a ele. Mas voltando a tua pergunta, se o Sivuca já fez isso lá atrás, é bom deixar uma esperança no ar, porque a gente está muito cético com tudo, mas é bom deixar uma luz no fim do túnel", afirma. Desastre familiar O novo álbum, lembra ele, surgiu após duas perdas importantes na sua vida, sua mãe e o irmão. "Um desastre familiar total", relembra. O fio-condutor foi a canção "Preciso de alguém", de Evaldo Gouveia e Paulo César Pinheiro. "Quando ouvi a primeira vez essa música, bateu muito forte, no sentido de me levantar, de dar a volta por cima". E acrescenta: "Representava, para mim, um momento de muitas perdas". A partir daí, Fagner começou a emoldurar o que resultaria numa grande mistura de sentimentos, devoções e parcerias - Jorge Vercilo, Zeca Baleiro, Fausto Nilo, entre outros. Após Donos do Brasil, seu trabalho anterior à Fortaleza, onde o rumo era a descoberta de um poeta cearense, Francisco Carvalho, o cantor ressalta que este disco transmite o que ele viveu nos últimos tempos, sem deixar de lado a preocupação com a poesia e a qualidade. "Um disco muito meu, da minha vida". Auto-retrato O que mudou do disco Donos do Brasil para Fortaleza?. "O anterior não foi trabalhado. Era um disco em cima da descoberta de um grande poeta, tinha outra conotação. A preocupação do disco era no fundo a descoberta do poeta, muito mais a razão da minha paixão pela poesia, um poeta da minha cidade. Estava mais preocupado em mostrar esse poeta do que no disco em si", analisa. Agora, diz ele, é muito mais datado, sobre momentos que ele está vivendo. Um auto-retrato da sua vida? "Pode ser", responde Fagner. Fagner. Credicard Hall. Av. das Nações Unidas, 17.955, tel. (11) 6846-6010. Sexta-feira, às 22 horas. Ingressos: de R$ 40 a R$ 80

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