Cineasta trabalha com a culpa em Paranoid Park

Com uma seqüência de cenas aparentemente frias, o cineasta Gus Van Sant, tal como Hitchcock em sua fase dourada, faz o público saltar da passividade para uma incômoda apreensão, refém do destino dos personagens. Foi assim em Elefante, sua obra mais premiada, e é o mesmo com Paranoid Park. Um dos destaques do último Festival de Cannes, o filme recebeu o prêmio especial do 60º aniversário da mostra. No novo filme do diretor, um grupo de adolescentes que alterna momentos na escola com outros em uma pista de skate são chamados para prestar depoimento sobre um agente ferroviário que foi morto ao ser atropelado por um trem, em Portland. Descartando a possibilidade de suicídio, os agentes federais trabalham com a hipótese de assassinato. É nesse redemoinho que se encontra Alex, garoto de 16 anos, cuja rotina não foge da normalidade: escola, namoro, saídas com o melhor amigo e escapadas para a pista de skate. Espécie de Crime e Castigo moderno, Paranoid Park coloca o espectador lado a lado com as ponderações do protagonista, dividido entre a culpa e a necessidade de absolvição. A frieza com que Van Sant narra a história, no entanto, é o ponto de maior incômodo. Serviço Reserva Cultural 1: Hoje, 22h40. Unibanco Arteplex 1: Amanhã, 23h20. Espaço Unibanco 3: Dia 30, às 17h10.

UBIRATAN BRASIL, Agencia Estado

26 Outubro 2007 | 11h42

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