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Cenário editorial começa a se reformar com chegada de e-reader funcional

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2012 | 20h 38

Kobo começará a ser vendido nesta quarta-feira, 5, por R$ 399; Amazon também iniciará operações no Brasil

Era consenso no mercado editorial que a venda de e-books só deslancharia no País quando o brasileiro pudesse comprar um e-reader barato e funcional. Esse dia parece ter chegado. A partir desta quarta-feira, 5, estará à venda no site e nas 16 lojas da livraria Cultura - e, a partir de 16, também na nova filial do Rio, a ser inaugurada na Cinelândia - o Kobo Touch, por R$ 399. É o primeiro passo para um Natal digital, fenômeno que vem se repetindo nos últimos anos nos Estados Unidos e em países europeus, no dia 26 de dezembro: quem ganha e-reader de presente compra livros para testá-lo. E o processo é tão fácil que o consumidor acaba comprando muito.

"O Kobo vai ser um belo e diferente presente de Natal", diz Sergio Herz, CEO da Cultura. Pequeno, leve e com tecnologia touchscreen e-ink, mais parecida com o papel, ele tem capacidade de armazenamento de mil livros, podendo chegar a 30 mil com cartão de memória de 32 GB. A pré-venda iniciada na semana passada superou as expectativas da rede, que já começou a despachar os pedidos. Quem deixou para comprar pessoalmente encontrará um corner nas lojas e poderá experimentá-lo. Até o Natal, outros dois modelos devem estar à venda: um mini e um com tela própria para ler no escuro.

Entre as estrangeiras, a canadense Kobo foi a primeira a chegar de fato. "Mas não acredito que ficaremos sozinhos por muito tempo", diz Camila Cabete, representante da empresa no Brasil. A Amazon deve anunciar a qualquer momento o esperado início de suas operações.

Depois de muito negociar, ela finalmente tem contrato com as maiores editoras e está com os arquivos dos maiores best-sellers, como Cinquenta Tons de Cinza (Intrínseca), de EL James, a obra mais vendida do ano em papel. Basta agora convertê-los para o seu formato. Mas ela também precisa ter o Kindle no Brasil para entregar rapidamente, em tempo das festas de fim de ano. Dizia-se que havia um lote preso num porto do Sul do País. Outra questão será a apresentação do aparelho. Como ele não é muito conhecido do público brasileiro, ajudará nas vendas se ele estiver exposto em alguma loja física.

Nesse último ano, falou-se que a gigante americana estaria negociando a compra da Netshoes e até da Saraiva, mas nada foi confirmado. A parceria com a Saraiva ainda é esperada. Com cerca de 100 lojas espalhadas pelo País, ela seria uma boa vitrine para o Kindle. Ou então com a CBD, que opera Pão de Açúcar, Extra, Ponto Frio e Casas Bahia. A Amazon tentou fazer isso recentemente e sem sucesso com a Cultura, e segundo informações do mercado a conversa com outros varejistas também não evolui porque a Amazon é tida como concorrente - ela chegará vendendo livro, mas comercializa todos os tipos de produtos.

A Kobo é reconhecida como uma empresa mais amigável que a Amazon, segundo o mercado. Apesar de o aparelho ser vendido pela Cultura, não é necessário comprar o livro dela, uma vez que a Kobo usa o formato epub, o mais comum. Já o usuário da Amazon fica refém da empresa. O formato do arquivo só é compatível com seus próprios aparelhos e a compra deve ser feita na Amazon.

Elas não são as únicas a lutar por uma fatia deste pequeno mas promissor mercado. Desde o final de outubro, a Apple, dona do iPad, vende e-books nacionais. Faz isso, porém, de forma improvisada, a partir de sua loja internacional. Ou seja, paga-se em dólar e tem acrescida na fatura do cartão de crédito a cobrança de IOF. É uma forma de vender, e editores se surpreenderam com a procura nos primeiros dias. No entanto, para movimentar de verdade o mercado terá de abrir sua ibookstore aqui.

"2012 é o ano zero do mercado digital. O que vendemos até agora não vai ser nada comparado com o que está por vir em 2013", disse ontem Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, minutos antes de assinar o contrato com a Amazon. A editora de Ágape, best-seller do padre Marcelo Rossi, fechou também com Kobo e Apple e está em vias de assinar com a Google. No total, a Globo tem 150 e-books, que representa 15% de seu catálogo.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva, o digital já responde por 2% das vendas. "Com a estreia de Kobo, Amazon e Google, este porcentual vai aumentar muito. Em 2013, estimo que o digital possa fechar o ano com perto de 10% das vendas totais", comenta. Em recente entrevista ao Sabático, ele disse que esperava que este fosse o primeiro Natal digital. "Continuo achando, e espero que tanto Amazon quanto Google estreiem este ano."

A Companhia das Letras, uma das últimas a assinar com Amazon - as conversas duraram um ano e meio -, também está otimista. "Começamos 2012 com 200 títulos e vamos fechar o ano em 600. Foi um tempo de preparação. Agora o jogo começou", diz Fábio Uehara, coordenador de negócios digitais da editora, que já fechou também com Kobo e Apple. Com a Google, as negociações estão avançadas.

Quem está com medo é a Associação Nacional de Livrarias. Nesta semana, ela manda carta em que expõe seus receios para Dilma Rousseff, Marta Suplicy e entidades do livro. Pede que o desconto não passe de 30%.

O cenário está se armando. O boom ocorrerá se o brasileiro comprar a ideia de ler o livro digital. A Companhia das Letras dobrou a venda de e-books em outubro deste ano em comparação ao mesmo período de 2011. É um bom termômetro.

 

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