Celebração da liberdade

Sabendo-se que Décio Otero é um gênio do pensamento moderno na dança do Brasil, o anúncio de uma nova criação sua já seria motivo para celebrar. Mas quando ela se chama A semana noventa@vinteedois, a curiosidade vem para a primeira fila. Hoje e amanhã, às 20h, e domingo, às 18h, no Theatro São Pedro, os 14 ótimos bailarinos do elenco do Ballet Stagium, dirigidos por Márika Gidali dançarão a nova coreografia de Décio Otero, com trilha de Lívio Tragtenberg.

HELENA KATZ , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2012 | 03h12

Há 40 anos o Stagium se dedica a metabolizar os traços importados que marcam a história da dança cênica no Brasil. Na nova obra, fez da comilança irrestrita o seu material. Otero não somente 'antropofagiza' a si mesmo, como o teatro de revista, os balés de repertório, a arte de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti e Anita Malfatti, o forró, o hip-hop, a poesia de Drummond. E no lugar da bailarina Yvonne Daumierie, simplesmente Isadora Duncan.

Décio Otero partiu dos 90 anos da Semana de 22: "O Stagium é filho dela e decidimos propor uma festa visual, misturando tudo para celebrar a liberdade das escolhas estéticas".

Márika conta dessa criação: "Eu me coloquei de diretora dessa loucura. A primeira coisa que chegou foi a música do Lívio. Décio começou o processo dele de compor e limpar a coreografia e decidiu inserir mais músicas na trilha. E esse foi o jeitão que tudo foi tomando, o de uma liberdade geral."

Carlos Gardin, diretor de arte e autor dos figurinos, comenta: "Tem o Abaporu, coisas do Bakst, do cubismo, bichos de vários quadros da Semana, o índio na visão do colonizador, máscaras nordestinas, as asas da escultura de Brecheret para o túmulo de Olívia Guedes Penteado".

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