Edson Kumasaka
Edson Kumasaka

Cadáveres batem à porta

O diretor Roberto Alvim estreia em 4 de agosto a peça 'Kiev', de Sergio Blanco, sobre o período stalinista do governo soviético

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2017 | 02h00

Tem estreia de gente grande no palco do Sesc Ipiranga. O diretor Roberto Alvim chega dia 4 de agosto com Kiev, peça de Sergio Blanco sobre o período stalinista do governo soviético nestes 100 anos de Revolução Russa. Conta a história de uma família russa que retorna à cidade natal e se depara com a antiga casa prestes a ser demolida para a construção de um shopping center. Pior, a piscina entulhada de cadáveres de presos políticos, opositores do governo de Stalin.

A peça trata da opressão totalitarista pelos olhos dessa família que volta ao lar. O elenco mudou no meio do caminho, com a saída de Fernando Eiras. Agora tem Juliana Galdino, Marat Descartes e Otávio Martins. A temporada segue até 10/9, com sessões de sexta a domingo.

Mamberti 50. O ator e diretor Sérgio Mamberti fala sobre os seus 50 anos de carreira, desde que começou no teatro em Santos, sua cidade natal, com a peça Revellation, de Tristan Bernarn, passando por mais de 70 montagens. Dentre elas encenações históricas como a de Navalha na Carne, de autoria de seu conterrâneo Plínio Marcos, e O Balcão, de Jean Genet. Dia 31 de julho, às 19h30, no Centro de Formação e Pesquisa do Sesc, na Bela Vista, na série Em Primeira Pessoa. 

HIV em cena. O aumento assustador do índice de adolescentes e jovens adultos com HIV no País trouxe aos palcos três peças sobre o assunto nos últimos meses. São elas Pobre Super-Homem, Avesso do Herói, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, de 22 a 30 de julho, do dramaturgo canadense Brad Fraser, mas também inspirada na obra de Caio Fernando Abreu; Lembro Todo Dia de Você, no Teatro do Núcleo Experimental, na Barra Funda, musical com direção de José Henrique de Paula; e Coração Purpurinado, de Ricardo Corrêa, com a companhia Artera de Teatro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em temporada gratuita até 5 de agosto. É sempre bom lembrar que o índice de contágio de HIV mais que dobrou nos últimos dez anos entre jovens de 15 a 19 anos; existem hoje no Brasil 112 mil pessoas que não sabem ser portadoras do vírus.

 

Um Brasil que se vai. Nelson Rodrigues, mais que dramaturgo, foi um cronista de sua época. Seu livro O Reacionário, depois reeditado como A Menina Sem Estrela, traz passagens instigantes e divertidas de um Brasil que se vai a cada dia. Aqui, uma homenagem ao jornalista Walter Fontoura, que morreu na semana passada, ex-diretor de O Globo e Jornal do Brasil. Walter se jactava de seu conservadorismo, mas sempre com a discrição e elegância de um gentleman.  

3 PERGUNTAS PARA AMANDA LYRA. Fora de cena, a atriz cuida do filho Ulisses.

1. Situação inusitada em cena.

Uma vez, tive que sair de cena para amamentar meu filho Ulisses, com apenas dois meses na época, que estava chorando no camarim.

2. Como gostaria de morrer no palco? 

Com a plateia lotada.

3. Se não fosse atriz, qual profissão escolheria?

É o que eu me pergunto todos os dias.

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