Brasileiro vê menos televisão do que a média mundial

Em 2006, País ficava 3h43 diante da TV; pelo mundo, período é de 3h53

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h01

Foi-se o tempo em que uma novela registrava 60, 70 pontos de média no Ibope. Isso traz a sensação de que uma parte da audiência fugiu da frente da TV para fazer outras coisas. Mas não é isso que diz o Ibope, o único instituto a medir audiência de TV no Brasil. Antonio Ricardo Ferreira, diretor do Ibope Mídia, lança mão de dados para mostrar que o número de televisores ligados vem aumentando, assim como o de horas que o brasileiro passa na frente da TV. Diz que houve transferência da audiência de umas para as outras nos últimos anos: ´O SBT e a Rede TV! perderam, enquanto a Record, Globo, Bandeirantes e TVs públicas ganharam.´ A televisão perdeu audiência nos últimos anos? Pelo contrário, o Painel Nacional de Televisores do Ibope (que representa o universo de 17.270.800 domicílios das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Goiânia, além de Volta Redonda, Petrópolis, Campos, Uberaba, Uberlândia, Juiz de Fora, Governador Valadares e Campinas.), mostra que, em 2001, a média do total de aparelhos ligados era de 31,9%; e em 2006, foi de 34,4%. Por que então as tradicionais maiores audiências - as novelas da Globo - têm caído? Na prática, essas audiências têm sido transferidas para outras emissoras. O SBT e a Rede TV! perderam audiência, enquanto a Globo, Record, Bandeirantes e as TVs públicas (TVE/Cultura) ganharam. Quanto tempo a TV toma da vida do brasileiro? Ano passado o brasileiro passou, em média, 3h43 por dia na frente da televisão, há cinco anos passava 3h15/dia. Nossa média é menor do que a mundial que é 3h53 (2005). Os japoneses são os que mais vêem TV: 5h11 por dia. Depois vêm os americanos (4h31), Argentina (4h26), Itália (3h57), Canadá (3h42), Reino Unido (3h39) e França (3h26). A diferença é que eles vêem mais TV paga porque a programação da aberta é ruim. A TV paga não tomou público? O número de assinantes de pay TV subiu - de 3 milhões (2001) para 4,5 milhões (2006) - mas a participação na audiência é insignificante diante dos 40 milhões de domicílios com TV aberta. Por que a TV por assinatura não cresce no Brasil? A boa qualidade da aberta, mais o preço alto da pay TV e a condição econômica do País fizeram com que ela não crescesse. É justo o Ibope ser responsabilizado pela má qualidade da TV? Existem programas ruins e de qualidade que têm boa audiência. Então a premissa de que a guerra pela audiência piora a TV é falsa. Que programas o senhor considera bons e ruins hoje? Os telejornais e novelas são bem-feitos. Os programas policialescos e alguns humorísticos são muito apelativos. Mas a onda dos policialescos já passou... Não, no Nordeste. No Recife e em Fortaleza há programas do gênero líderes na hora do almoço. Já houve tentativas de entrar no mercado de medição da audiência. Por que não deram certo? A aferição é um sistema complexo, que exige muita tecnologia. O Nielsen tentou entrar no Brasil, mas esbarrou no fato de não fazer medição em tempo real, que passou a ser uma exigência do mercado brasileiro. O Ibope acabou comprando a operação do Nielsen em toda a América Latina. O Datanexus conseguiu fazer o real time, mas não desenvolver outras ferramentas. O real time não existe no primeiro mundo? Não, só está disponível em São Paulo, Buenos Aires e Santiago (operações do Ibope) e começa em agosto no Rio e, em novembro em Campinas. Em todo o mundo, os dados de audiência só são conhecidos no dia seguinte. Não seria melhor ter mais de um instituto medindo a audiência? Já tivemos concorrentes, mas o mercado optou por nós. E é assim em todos os lugares do mundo. O Nielsen Media faz nos Estados Unidos. Agb Nielsen opera na Inglaterra, Austrália, China e Itália. O GFR opera a Alemanha, e o Media Metrie, na França.

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