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Atendendo a pedidos... Entrevista com Gilberto Gil

Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h 11

Depois de muita insistência, cantor e compositor fez a versão das canções de 'O Rei Leão', que estreia em março

Quando foi convidado, em maio do ano passado, para fazer a versão em português das canções do musical O Rei Leão, Gilberto Gil pensou inicialmente em recusar. "Mas meus filhos, netos e também Flora, minha mulher, que gostam muito do espetáculo, insistiram para eu aceitar", contou, sorridente, o músico, que finalmente aceitou depois dos pedidos de uma amiga, particularmente envolvida com o projeto: a diretora e criadora Julie Taymor. "Ela insistiu muito para que eu entrasse para essa família."

De fato, é uma família, como Gil pôde perceber na manhã de segunda-feira, quando foi apresentado a todo o elenco da montagem brasileira, que estreia em 28 de março, no teatro Renault (ex-Abril). Foi, na verdade, uma grande confraternização, pois atores, músicos e membros do staff puderam se conhecer depois de um longo período de testes e audições, a maior já promovida pela Time For Fun, empresa responsável pela produção brasileira de O Rei Leão.

"Fizemos uma seleção demorada e minuciosa, mas que satisfez plenamente a Disney", comentou Stephanie Mayorkis, diretora da empresa, acompanhada de Felipe Gamba, diretor de Estratégia Internacional da Disney, e de John Stefaniuk, diretor associado. "Assim, temos um grupo de diversas regiões do País, desde o Paraná até a Bahia."

Há 15 anos em cartaz na Broadway e com 20 produções ao redor do mundo, O Rei Leão já foi visto por mais de 66 milhões de pessoas, arrecadando aproximadamente US$ 5 bilhões. "Julie se encantou com todas as versões, mas ela não esconde uma empolgação muito maior pela brasileira", confidenciou o colombiano Gamba. A montagem também será o maior desafio da Time For Fun, a ponto de exigir reformas no teatro Renault, para acomodar cenários e figurinos do espetáculo.

Depois das apresentações, Gilberto Gil participou da primeira leitura do texto, na tarde de segunda-feira, nas dependências da Universidade Anhembi Morumbi, onde ocorrem os ensaios. Seria o primeiro teste de embocadura para sua versão brasileira, trabalho que não foi demorado, tampouco exaustivo, como explicou Gil a um pequeno grupo de jornalistas, do qual participou o Estado.

Qual foi a sua principal dificuldade em traduzir as letras para o português?

GILBERTO GIL - Não foi tão difícil como pode parecer. O importante era manter os elementos principais das canções, especialmente as rimas, a prosódia e, principalmente, encontrar espaço para acrescentar um pouco da alma brasileira no espetáculo.

Você é amigo da diretora Julie Taymor - isso foi decisivo para aceitar o convite?

GILBERTO GIL - Sim, ela praticamente me obrigou a entrar nessa família (risos). Mas, depois da insistência da família, eu já estava decidido a aceitar. Também fiquei encantado com o trabalho original do Elton John (autor da melodia) e do Tim Rice (letras), canções irresistíveis que preservam o espírito africano, algo que também procurei manter na versão brasileira.

A proximidade cultural do Brasil com países africanos deve ter ajudado, não?

GILBERTO GIL - Com certeza. Nós temos muito da África em nossa formação, nossa cultura traz poderosos resquícios da cultura de Angola, Moçambique, Cabo Verde. Assim, em muitos casos, a versão para o português correu naturalmente, o que, é bem provável, não deve ter acontecido com outras línguas, como o alemão, por exemplo.

Quando fez idêntico trabalho com as canções de outro musical, Cats, Toquinho se surpreendeu com a dificuldade enfrentada, trabalhando mais tempo do que previa. Como foi com você?

GILBERTO GIL - Comigo, não foi difícil. Trabalhei durante duas ou três semanas, sem precisar interromper as obrigações da minha agenda. O que me facilitou foi o respaldo que tive: troquei conselhos com a Raquel Ripani, responsável pela tradução dos diálogos, e também com os produtores musicais, que me apontavam as características de cada personagem que deveriam ser respeitadas.

Houve algum personagem que deu mais trabalho? E qual apresenta mais elementos brasileiros?

GILBERTO GIL - Não houve nenhum que se destacasse como mais difícil ou mais fácil. Sobre a brasilidade, creio que a ave zazu, que se parece com um tucano, é a que mais facilitou a aproximação com a nossa cultura.

Depois dessa experiência, você pretende fazer outras versões de musicais?

GILBERTO GIL - Já passei dos 70 anos e agora não planejo nada, apenas espero ser convocado ou me convoco para projetos que, naquele momento, me interessam mais.

E a família, que tanto pressionou para você aceitar o convite, aprovou sua versão?

GILBERTO GIL - Não mostrei nada para eles, deixei para que descobrissem na estreia. Espero que gostem.

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