Giulia Martins
Giulia Martins

ArCênico: O Brasil situado no palco do Brasil

As últimas informações do mundo do teatro

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 02h00

A mão de Marcelo Marcus Fonseca tem caminho certo na dramaturgia e na direção do projeto A Gente Submersa. Discute o país e a gente que somos, a pressão colonialista e nossa descaracterização e, finalmente, como chegamos até aqui. A primeira peça foi apresentada ano passado, Gente Submersa, e a segunda estreia na sexta, dia 24, na sede do Teatro do Incêndio, na Bela Vista. Chama-se Rebelião - O Coro de Todos os Santos e tem no elenco as atrizes Gabriela Morato e Elena Vago e o ator Francisco Silva - o grupo sai do coração do País na tentativa de salvá-lo, devolvendo a Portugal os símbolos da opressão colonialista. Tem aperitivo: domingo, 18, às 19h, há ensaio aberto no próprio Teatro do Incêndio.

CORRIDA MALUCA

Londres é brilho no céu do teatro mundial, mas há momentos insuportáveis. De tão bons e únicos, obviamente. Abriram-se esta semana as janelinhas virtuais e físicas da bilheteria de duas peças com elencos de primeira e que prometem ser as mais concorridas deste ano, apesar de repeteco. A primeira tem Ian McKellen na montagem de Rei Lear, do bom e velho bardo, no Duke of York’s Theatre, em julho. Não é pouco para quem fez carreira nas décadas de 1970 e 80 na Royal Shakespeare Company - quem viu a montagem disse ter sido inesquecível o seu protagonismo em Macbeth, em 1976, ao lado da atriz Judi Dench, como Lady Macbeth. Certamente será lembrado para a eternidade por seus papéis no cinema, como Gandolf, em Senhor dos Anéis, e Magneto, na franquia X-Man. Paciência. Cada um tem o que merece.

MALUCA CORRIDA

Também nesta semana começou a venda de ingressos para Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O’Neill, dirigida por Richard Eyre e que será encenada no Wyndham’s Theatre, em abril. A peça tem duplo protagonismo britânico: Jeremy Irons e Lesley Manville. Se Irons no palco já é imperdível, vale ter um olho, pelo menos, em Manville. O reconhecimento vem a galope. Ela está no elenco de Trama Fantasma, o filme de Paul Thomas Anderson com Daniel Day-Lewis que tem seis indicações ao Oscar - entre elas, o de melhor atriz coadjuvante para Manville.

MINAS NA RIBALTA

O Teatro de Contêiner Mungunzá chega a um ano de vida de atuação no Centro de São Paulo e comemora com uma bela mostra teatral. Reuniu onze monólogos protagonizados por mulheres, que estarão em cartaz a partir da próxima segunda, 19. Destaques para Denise Weinberg, em O Testamento de Maria, Georgette Fadel, em Afinação I, Fernanda D’Umbra, em Isso Não é um Sacrifício, Janaína Leite, em Conversas com Meu Pai, e Renata Carvalho, com O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu.

NOVO ABELARDO

Depois de Renato Borghi, é a vez do carioca Marcelo Drummond encarar, a partir desta semana, a personagem Abelardo I, de O Rei da Vela. É desafio dos bons para um tiro curto. As apresentações do grupo do Teatro Oficina serão de hoje a 25 de fevereiro no Sérgio Cardoso.

3 PERGUNTAS PARA LUCIANA PAES

1. O que é ser atriz?

É emprestar corpo e pensamentos para que histórias possam ser contadas.

2. Por que teatro?

Tentei fazer outras coisas e fiquei doente.

3. Como gostaria de morrer em cena?

Eu diria: “Gente, vamos ter que parar a peça, mas continua aí que vai rolar uma apresentação inédita e única”. Queria pessoas amadas na plateia. E um jurado do Prêmio Shell. 

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