Danillo Anastácio
Danillo Anastácio

ArCênico: Estreia peça inédita de britânico

As últimas informações do mundo do teatro

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 02h00

Simon Stephens tornou-se um dos dramaturgos queridinhos do teatro britânico desde a estreia de Bring Me Sunshine, no Edinburgh Festival Fringe, em 1997. Passadas mais de 30 peças, ainda é pouco encenado no Brasil. Mas há novidades a caminho. Punk Rock, inédita por aqui, estreia dia 16 na sala Jardel Filho, no CCSP, com a Cia da Memória. A direção é de Ondina Clais e Ruy Cortez, que dirigem um elenco jovem há quase dois anos. “Fizemos um projeto de formação e buscamos referências do universo jovem na própria história brasileira”, conta Ondina. “Gostamos do resultado, pois envolve a questão do feminino, violência e bullying.” Apesar do nome, a trilha pende para Tropicália, com Gal e Caetano.

SEMPRE É TEMPO: VAMOS FALAR DE CENSURA 

Nestes tempos de bandeiras hasteadas e caçadores destemperados, nada melhor do que uma noite para discutir Augusto Boal, censura e teatro. Será dia 16, a partir das 19h, no Célia Helena Centro de Artes e Educação, no Itaim. Nada acontece à toa. Este ano completam-se 50 anos em que o AI-5 foi decretado - possivelmente o golpe mais violento do regime militar contra a liberdade de expressão no País. Boal, meses antes, em junho, lançava em seu Teatro de Arena a peça Feira Paulista de Opinião, com textos de um grupo de bambas como Bráulio Pedroso, Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Lauro César Muniz, Plínio Marcos e do próprio diretor. A estreia se deu, mas, em seguida, a censura exigiu 84 cortes no texto. Atriz e viúva de Boal, Cecília vai coordenar a mesa com Ligia Cortez. No mesmo evento será feita a leitura dramática de Verde Que Te Quero Verde, de Plínio Marcos. Se não pelo papo sobre teatro, vale pela discussão sobre censura e liberdade de expressão.

PICADA DE AMOR DÓI MENOS, MAS MATA

A Serpente, de Nelson Rodrigues, leva ao palco o drama de amor e morte das irmãs Guida e Lígia nesta peça classificada no grupo das Tragédias Cariocas, pelo crítico Sábato Magaldi. Nunca é algo fácil ou simples. Prova disso é a nova montagem do texto, que chega dia 16 ao Teatro Arthur Azevedo, na Mooca, pelas mãos da companhia Círculo de Comediantes - criada em 1994 por Patrícia Gordo e Marco Antônio Braz. Agora, as atrizes Patrícia, como Guida, e Liz Reis, na pele de Lígia, protagonizam a cena e convidaram Lavínia Pannunzio para dirigir este que é o último e mais curto texto de Nelson. “Esta peça é o caminho para o necrotério, a busca da morte, um tipo de Guernica no teatro”, diz Lavínia, que pela primeira vez dirige um texto do dramaturgo pernambucano. “Estou completamente apaixonada por ele e acho que minha proposta de direção é ousada.” É o que ansiosamente esperamos.

3 PERGUNTAS PARA OTAVIO MARTINS

Dramaturgo e ator, gostaria de ser marceneiro

1. O que é ser ator?

É emprestar suas qualidades e defeitos, físicos e emocionais, para contar uma história pelo ponto de vista de um personagem.

2. Com qual personagem se parece?

Vicente, de Caros Ouvintes. Ele tenta conciliar o inconciliável e paga por isso.

3. Como gostaria de morrer no palco?

Ao fim de uma apresentação, sem que o público percebesse. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.