Patricia Cruz/Estadão
Patricia Cruz/Estadão

ArCênico: Capobianco já investe em 2018

Notícias do mundo do teatro

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 02h00

Sim, 2017 não está bolinho e é por isso que há quem já aponte o foco para 2018. É o caso de uma moça que ocupa um assobradado anos 20, cravado na Rua Álvaro de Carvalho, ao lado do Largo da Memória, no Centro da cidade. A moça em questão é Fernanda Capobianco. Dirige o instituto cultural que leva o sobrenome da família. Ela não está mais entre nós. Vive intensamente 2018 e os projetos que irá implementar com a recente aprovação para captar R$ 1 milhão pela Lei Rouanet. “Temos três grandes projetos de residência artística e dramatúrgica para o começo de 2018”, diz. “Além, é claro, do envolvimento com os moradores do entorno, que se beneficiam das nossas atividades gratuitamente.

SORTIDOS E SUBMERSOS

As duas primeiras residências dramatúrgicas já foram definidas. A primeira terá texto e direção de Rafael Gomes, do Empório de Teatro Sortido. Gomes irá escrever uma peça - Fazendo Geleia na Suiça - em quatro meses durante um processo colaborativo com os atores do grupo. A outra residência segue o mesmo caminho e terá dramaturgia e direção de Kiko Marques. O texto da peça Casa Submersa, que será tecido com o elenco do grupo Velha Companhia, fecha a trilogia de Marques, iniciada com Cais ou Da Indiferença das Embarcações e, em seguida, com Sínthia - que volta ao cartaz no Capobianco em 20 de novembro.

SUCESSO DA CATÁSTROFE

E para coroar o processo a Episódica Cia começa em fevereiro a residência artística para montar uma peça que mistura A Catástrofe do Sucesso, de Tennessee Williams, e a própria vida do dramaturgo - é bom lembrar que Willians, autor de clássicos como Um Bonde Chamado Desejo, escreveu Catástrofe para dizer ao mundo como a fama o arrastou para a esterilidade intelectual e incapacidade produtiva.

PIRA NA CACHOLA

Vai ter Pirandello pra toda gente. Está chegando às estantes Pirandello em Cinco Atos, pela editora Carambaia, obra traduzida do italiano por Mauricio Santana Dias. São cinco peças curtas, inclusive os dois primeiros textos do dramaturgo italiano encenados em 1910 - O torniquete e Limões da Sicília -, ainda escritas em dialeto siciliano. Completam o volume A Patente, escrita em 1917, e O homem com a flor na boca e O outro filho. Uma curiosidade: todas foram escritas anteriormente como novelas curtas e depois vertidas para o palco.

DRAMATURGIA HOJE

Lê peças e não entende como chegaram ao palco ou assiste peças e não entende como o texto se encaixou naquela barafunda? Agora tem um caminho para desvendar os mistérios insondáveis das artes cênicas e seus elementos narrativos. O curador de teatro do Centro Cultural São Paulo, Kil Abreu, fará um curso rápido sobre o texto teatral e sua transposição para o palco: Dramaturgias Contemporâneas: formas e processos. Será no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, dias 4 e 6 de dezembro, das 19h30 às 21h30.

3 PERGUNTAS PARA CAIO BLAT -

'Seria arquiteto se não fosse ator'

1. Por que teatro?

Em tempos digitais, nada mais radical do que a presença do outro, o corpo humano nu como veículo de comunicação, suor, saliva, lágrimas e verbo.

2. Com que personagem se parece?

Acho que Calígula. Não entendo porque mando anoitecer e o sol não obedece.

3. O que é ser ator?

Fauzi Arap dizia que é não ser nada, ser veículo, estar zen. Ser ator é, na verdade, tirar a máscara. 

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