Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

ArCênico: A odisseia da 'Odisseia'

Estreia neste sábado, 16, às 22h, o documentário No Se Mira Impunemente, dirigido por Cristiano Burlan

João Wady Cury, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 02h00

A Cia Hiato têm sentido na pele que não se monta uma peça como Odisseia, de Homero, sem vivenciar uma odisseia de verdade. É um périplo de oito experimentos cênicos, cada um dirigido por um artista da companhia desde janeiro deste ano. O primeiro deles, um solo da atriz Luciana Paes, foi apresentado em um encontro na Holanda, recentemente. O segundo envolve 25 pessoas, com direção de Thiago Amaral. Está pronto para ser mostrado com exclusividade no fim de semana de 23 e 24 de setembro na Casa Palco, na Bela Vista. A montagem final estreia em fevereiro de 2018 e será a junção dos oito experimentos em um único. Quem conhece a Hiato sabe que vem coisa boa por aí.

FILHOTES DO PROAC

A Cia Hiato está produzindo a Odisseia com verba do Programa de Ação Cultural, o Proac, que definiu as montagens a serem contempladas por investimento estatal este ano. Na relação de escolhidos há 34 projetos, no total, dos quais 16 são peças de São Paulo e 18 do interior paulista. Os valores variam de R$ 85 mil a R$ 160 mil para montagens estreantes e peças que cumprirão temporada no interior de São Paulo. Senão, vejamos. Há uma adaptação imperdível de Romeu e Julieta, de Will Shakespeare, sobre a dupla romântica mais famosa do planeta um tanto mais velha, na casa dos 80 anos - imperdível porque os protagonistas são Renato Borghi e Miriam Mehler. O Grupo Tapa foi outro contemplado, agora com a montagem de Anatol, inspirada no texto de Arthur Schnitzler, ainda inédito por aqui. A história vale o show. Uma sessão de hipnose que ultrapassa os limites do palco e leva o público a fechar os olhos e mergulhar em uma viagem através do tempo, que começa na Viena da virada do século 19 e chega aos nossos dias. A lista de todos os vencedores está na página do Proac.

TBC: A NOVELA CONTINUA

Será na quarta-feira, dia 20, no Teatro Oficina, às 13h, o próximo encontro do grupo que organiza a reação da classe teatral paulista à decisão do governo federal de privatizar o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). O evento é aberto e foi feita uma convocação geral da classe artística pelos organizadores para apoiar o movimento. Busca-se a criação de uma pauta única e escolha de representantes para negociar com o Ministério da Cultura e a Funarte a interrupção do processo de privatização. O MinC, segundo o ministro Sá Leitão, iria lançar o edital ainda este ano.

MIRE O MIRADA

Estreia neste sábado, 16, às 22h, o documentário No Se Mira Impunemente, dirigido por Cristiano Burlan. Trata-se de uma discussão sobre o teatro ibero-americano contemporâneo. Burlan fez o documentário ao longo do Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, ocorrido em Santos, no ano passado. Costura, no filme, entrevistas com profissionais e cenas de espetáculos apresentados no festival e os temas tratados nessas obras, como a violência e o rompimento das fronteiras entre o teatro, as artes plásticas, a dança, a literatura e o cinema. Para assistir basta acessar o link sesctv.org.br/ao vivo.

3 PERGUNTAS PARA ILANA KAPLAN

Gosta de assistir à Netflix e comer chocolate

1. O que é ser atriz?

É brincar de ser outra pessoa.

2. Situação inusitada.

Quando fazíamos Ensina-me a Viver num CEU, a octogenária Maude (Glória Menezes) disse ao Harry (Arlindo Lopes): “Preciso te contar um segredo”. Alguém da plateia gritou: “Ela tá grávida!”.

3. Frase arrebatadora.

“Tente de novo. Falhe de novo. Falhe melhor”, em Esperando Godot, de Beckett.

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