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Antunes Filho estreia peça 'Policarpo Quaresma' em SP

AE - Agencia Estado

26 Março 2010 | 10h 02

As garras continuam afiadas mas a fera anda mais mansa - aos 80 anos, Antunes Filho mantém-se firme como um encenador teatral preocupado em traduzir no palco as inquietações despertadas pela atualidade. "Mas estou menos raivoso, sorrio mais, não compro tanta briga", conta ele, olhos comprimidos, dentes à mostra. "Continuo, no entanto, um homem revoltado." E essa insatisfação ganha contornos agora na peça "Policarpo Quaresma", sua 21.ª direção, que estreia hoje no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo.

Inspirado no livro "O Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto (1881-1922), o espetáculo fecha a trilogia que Antunes dedicou às obras com personagens que viveram, ao menos durante algum tempo, no Rio de Janeiro - as demais são "A Falecida Vapt-Vupt", do texto de Nelson Rodrigues, e o musical "Lamartine Babo", escrito pelo próprio Antunes. "Eu me inspirei nas madrugadas cariocas que passei ao lado de artistas como Clarice Lispector, Paulo Pontes, Vianinha", relembra.

Como o texto de Lima Barreto é praticamente descritivo, Antunes decidiu transformar tudo em diálogos, consumindo seis meses de trabalho - começou em 2008. Para isso, foi necessário criar personagens - ''curingões'', como chama. "Abusei da liberdade, pois, se ficasse preso às teorias teatrais, estaria morto."

Lee Thalor, que interpreta o papel principal, conta não ter chegado a um personagem definido pois, depois de semanas de preparação, o que se verá no palco é o conjunto de resíduos sobrados de diversas experimentações. "A obra continua atual, especialmente quando faz crítica à corrupção, à burguesia, à reprovável atuação dos políticos", conta o ator, que encontrou semelhanças de Policarpo com Quaderna, emblemática figura de "A Pedra do Reino", espetáculo de Antunes que o lançou no teatro, em 2006, inspirado na obra de Ariano Suassuna. "Ambos conseguem manter sua humanidade mesmo diante de adversidades. E, especialmente em Policarpo, há um desejo abafado de resistir à revolução, às mudanças." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Policarpo Quaresma - Sesc Consolação. Rua Dr. Vila Nova, 245. Tel. (011) 3234-3000. 6a. e sáb., 21h; dom., 19h. R$ 20. Até 6/6.

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