Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Adoro chorar no cinema

Sandrine Bonnaire está no Brasil para receber homenagem pela carreira

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2011 | 00h00

Catherine Deneuve foi soberana nas entrevistas de quarta-feira, na abertura do Festival Varilux do Cinema Francês em São Paulo. Disse que a retomada da parceria com Gérard Depardieu, com quem havia feito, há quase 30 anos, O Último Metrô, de François Truffaut, foi uma sacada inteligente do diretor François Ozon em Potiche - Esposa Troféu, incorporando o que ambos representam no imaginário do público. Acrescentou que o fato de os diretores da nova geração - Ozon, Arnaud Desplechin e Christophe Honoré - lhe oferecerem papéis de mulheres comuns é salutar. Catherine admite que ser um ícone é lisonjeiro, mas também cansa.

Havia outra estrela nas entrevistas de quarta - Sandrine Bonnaire. Ela está no Brasil como homenageada do Festival Varilux, que promove uma retrospectiva de seus filmes. Sandrine teve um encontro com o público no Cinesesc, à tarde, outro, na sequência, na Reserva Cultural e, entre ambos, conversou com o repórter do Estado. O que representa uma homenagem dessas? "É genial!", ela exclama e pode-se ver que está feliz. Sandrine não tem nenhuma personagem como A Bela da Tarde em seu currículo, mas trabalhou com grandes diretores, os maiores - Maurice Pialat, Claude Chabrol, Agnès Varda, o próprio Patrice Leconte. Todos lhe ofertaram belíssimos papéis.

Ela tem um carinho especial por Pialat. Admite que ele lhe faz falta. Foi seu mentor. Ao contrário das irmãs, Sandrine não queria ser atriz, mas quando uma delas descobriu o anúncio que Pialat publicara num jornal, procurando a intérprete para A Nos Amours, ela foi como companhia. Pialat pediu que improvisassem (as três), solicitou que voltassem na semana seguinte e, no final, reteve apenas Sandrine.

Pialat estimulava nela a espontaneidade. A técnica veio depois com Chabrol, Leconte. E é mais fácil do que parece, ela explica. "Dirigi um filme com uma menina de 7 anos ela aprendeu tudo rapidamente." O repórter carrega um livro de entrevistas com Leconte, J"Arrête le Cinéma. Ele fala nas famílias provisórias que se formam durante a realização dos filmes e de como, às vezes, é difícil se separar de atores e atrizes. Leconte revela que com Sandrine é fácil. Quando se reencontram, retomam as conversas como se tivessem se visto ontem. "É verdade", ela comenta.

Atriz e diretora - sua estreia atrás das câmeras foi com um documentário sobre sua irmã, que sofria de uma doença diagnosticada como autismo. O erro médico levou a garota a um verdadeiro calvário. "Foi um filme que demorei para fazer. No começo, tinha medo que saísse muito rancoroso." Quando concluiu Elle s"Appelle Sabine, os elogios foram unânimes. "Mais do que doloroso, foi um filme catártico."

Sandrine volta a Paris e retoma a montagem do novo longa como diretora - uma ficção. O ator é William Hurt, pai de sua filha mais velha (ela tem duas, de 17 e 6 anos). J"Enrage de Son Absence trata da dor de um pai que perdeu o filho. Será um filme muito sombrio. Por que isso? "Adoro chorar no cinema", confessa Sandrine. Ela chorou recentemente em Homens e Deuses e Animal Planet.

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