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"A Grande Família" estréia na Globo

Agencia Estado

28 Março 2001 | 18h 31

Por trás do fundo falso de um espelho de banheiro, ou de um armário de roupas, ou mesmo de um rádio, há uma câmera registrando uma cena do remake do seriado A Grande Família, que estréia nessa quinta-feira na Rede Globo, após o Linha Direta. Vale tudo para registrar o "movimento do personagem", como explicou o diretor Mauro Mendonça Filho. Coube a ele realizar o programa que, na década de 70, na própria Globo, teve como diretor Paulo Afonso Grisolli e como redatores Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa e Paulo Pontes. O elenco original era formado por Jorge Dória, Eloísa Mafalda, Brandão Filho, Osmar Prado, Luís Armando Queirós, Djenane Machado e, depois, Maria Cristina Nunes e Paulo Araújo. Agora, estarão em cena Marco Nanini, Marieta Severo, Pedro Cardoso, Rogério Cardoso, Lúcio Mauro Filho e Guta Stresser. Com 35 anos, quase 10 deles na Globo, o filho dos atores Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho evita comemorar antes do tempo. Para Mauro Mendonça Filho, o seriado não tem sucesso garantido. Após um dia de gravação no Teatro Fênix, no Rio, ele deu a seguinte entrevista. Agência Estado - Como surgiu a idéia de refazer "A Grande Família"? Mauro Mendonça Filho - A empresa e o Guel (Arraes, diretor de núcleo) colocaram o projeto na mesa. Era uma idéia antiga do Guel de resgatar esse programa. Ele leu os capítulos e ficou encantado com o texto do Vianinha. Vocês se inspiraram nas comédias americanas? Pensamos nos sitcoms americanos, sim, mas avaliamos que eles são frios, não tem nada conosco que estamos mais próximos das comédias italianas. Pensamos, então, em fazer algo que não soasse exagerado, nem ficasse frio. Queríamos passar essa coisa latina que é meio espaçosa, de se mexer, falar alto. O que essa opção já determinou, em termos de gravação? De cara, abolir a idéia de uma câmera do lado de fora. A câmera acompanharia o movimento das pessoas sem que elas se movimentassem para a câmera. Ficaria a espontaneidade das pessoas que se mexem dentro de uma casa real, porque no cenário tudo funciona, do interruptor à cafeteira. Temos portas e paredes falsas que podem ser retiradas para a passagem da câmera que, assim, pode mostrar qualquer canto da casa. Para conseguir esse calor, uma opção seria a gravação ao vivo. Isso foi evitado para que não houvesse comparações com o "Sai de Baixo"? Se gravássemos com platéia, a associação seria imediata. Mas não evitamos pensando nisso. Fomos apenas seguindo o desejo do que queríamos fazer. O que se manteve no texto original e o que ficou anacrônico? Vianinha fala do fundo do coração desses conflitos, da crise dos 40, crise de casamento, de relações, problemas familiares. Mas, quando ele faz referência a uma música, fica anacrônico. Nós já estamos falando do funk e da violência que não estavam no original. Por que foi suprimido o filho politizado, o Júnior? Naquela época fazia sentido ser de esquerda ou de direita. Era a época do regime militar. Hoje, é uma mistura só. Mas o discurso político é necessário e está distribuído entre todos os personagens, sendo Lineu (Marco Nanini) o mais crítico. A modernidade do programa original estava em fazer uma crítica social em um momento difícil de se fazer críticas. Onde está a modernidade do remake? Sinceramente, não acho esse programa moderno. Também não tem a intenção de parecer moderno. A única modernidade pode estar no sentido tecnológico, do tipo de recursos que hoje podemos utilizar. Remake de algo que deu certo é garantia de sucesso? O sucesso de A Grande Família para o grande público é uma lembrança muito vaga porque foi ao ar há 25 anos. O público que o assistiu naquela época não é o mesmo de hoje. Dessa forma, torna-se um programa novo. O seriado terá somente 17 episódios. Por quê? Foi uma proposta do núcleo que a direção da empresa acatou como parte de um projeto artístico de qualidade. Acabou em 17 para casar com um planejamento da emissora de estrear coisas novas em agosto. Por que a qualidade ficaria comprometida se o programa ficasse no ar o ano todo? O grande problema é de texto. Estamos preservando o máximo do texto original. É um trabalho difícil. Começamos a trabalhar nesse projeto em novembro, mas demoramos muito até acertar o tom. Está difícil buscar projetos originais para a TV? É preciso buscar o que foi sucesso no passado? Acho que sim. A TV brasileira e a Globo principalmente está calcada em um modelo hollywoodiano de fantasia que prende muito. É preciso aguçar a crítica. Eu me incomodo com o excesso de açúcar do melodrama. A TV já explorou outras coisas quando tinha seriados como Mulher e Carga Pesada. Agora entrou em uma cruzada meio moralista. Parece que as opções se fecharam e isso me incomoda profundamente. Gosto de olhar o veículo, pelo qual sou apaixonado como algo inovador. A TV de alguns anos atrás era mais inovadora do que a de agora, apesar de todos os novos recursos técnicos? Não é preciso voltar muitos anos atrás. Já tivemos na programação da Globo uma Comédia da Vida Privada e Programa Legal. Fiz novelas como Renascer, que tinha como diretor o Luiz Fernando Carvalho pintando como um cara inovador dentro da TV. Há seis, sete anos, a TV era mais livre talvez porque a audiência fosse mais garantida, na Globo. Há 20 anos, então, houve um boom de bons textos como O Rebu e Sinal de Alerta. Era um tempo mais ousado. Agora, houve uma banalização. Quando se quer fazer algo diferente é tudo feito de forma muito cautelosa. Não sei como resolver isso, apenas identifico. Você está implantando o programa e também uma peça de teatro? Estou trazendo para o Rio A Megera Domada, de Shakespeare, que já fez uma temporada em São Paulo. Estréia no dia 4, no Teatro João Caetano, com Mariza Orth, Otávio Muller e Bete Goffman. É o caminho oposto da TV porque é mais uma relação com a palavra do que com o que é mostrado. Além disso, no teatro, não consigo ser realista de jeito nenhum. Deixo isso para a TV. A Grande Família, direção de Mauro Mendonça Filho. Quinta, às 22h45. Rede Globo

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