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A Copa do Mundo é nossa

Fábio Porchat

A cada quatro anos eu me lembro de como eu gosto de Copa do Mundo. Mas eu nunca tinha ido a uma. E agora, ela veio até mim. E assistir a uma partida no estádio foi das melhores coisas que eu já fiz na vida. Por conta dos protestos, Fifa, superfaturamentos e afins, o brasileiro não tinha se dado conta ainda do que é sediar uma Copa.

Ninguém tava dando muita bola, tava todo mundo quietinho, até que o gigante acordou. Quando eu olhei pro lado, tinham dez croatas, seis uruguaios e 12 holandeses no mesmo vagão de metrô, e nem era dia de jogo. Todos felizes, sorrindo, cantando e torcendo. O futebol mexe com o nosso povo de uma forma brutal, fiquei surpreso, não imaginava que fosse tanto.

Minha primeira partida foi em Salvador naquele Holanda e Espanha inacreditável! Do segundo que eu saí da minha casa no Rio até entrar no avião pra voltar, tudo foi divertido, uma experiência inesquecível. Pessoas do mundo todo no avião, cantando, só falando do jogo. Chegar lá, ir para o estádio, comer no podrão, ficar na muvuca para entrar, tomar chuva, tudo é genial. E assistir a um jogo em que não importa quem perca, é mais legal ainda. Eu só queria ver gol. E vi seis. Cantei, gritei, xinguei o Diego Costa só pra dar risada, porque no fundo não faz o menor sentido xingar o cara. A Fonte Nova é um senhor estádio.

Da Bahia fui direto para Belo Horizonte porque no dia seguinte tinha Colômbia e Grécia no Mineirão. O que supostamente seria um jogo chinfrim se transformou num partidaço. Coisas que só a Copa do Mundo faz. O Mineirão está incrível, a torcida colombiana dá de dez na nossa no quesito animação. E eu torci pra Colômbia! Abracei colombiano comemorando e tudo. Aí, no dia seguinte, fui pro Maraca secar a Argentina. Não deu Bósnia, mas vi gol que sempre é o meu objetivo. Mas pra quem eu torci de verdade foi pro Chile.

Que alegria ver ao vivo a Espanha indo embora. Eu peguei fila pra entrar, fiquei perdido nas imediações dos estádios, paguei caro na cerveja e no ingresso, fiquei apertado no metrô, mas Copa do Mundo faz você esquecer de tudo, mais ainda, faz você achar tudo isso maravilhoso. Se futebol é o ópio do povo, a Copa é heroína na veia. E ainda falta um monte de jogo! Já tá decidido, comecei a economizar dinheiro hoje porque em 2018 eu vou pra Rússia, não quero nem saber. Nem que seja para assistir Irã e Argélia da fileira Z, mas só de poder fazer parte do evento, já vale. Mas ter a chance de ver um campeonato como esse no meu país é uma coisa única, e eu vou poder dizer pra todo mundo lá em Moscou: lembra do hexa? Eu tava lá! Que pena que a gente não soube tirar o máximo de proveito dessa Copa. Quando é que teremos outra aqui de novo? Mais 50 anos eu ainda guento. Combinado, Fifa!?

*E-mail: fabio.porchat@estadao.com