A beleza condenada dos polaroides

Todo cuidado é pouco com os polaroides de Andrei Tarkóvski. Seu filho, Andrei Andreiévitch, montou a exposição de fotos do pai no Masp. Ele se impressionou com a beleza arquitetônica do projeto do museu criado por Lina Bo Bardi. "Levaram-me a conhecer o acervo, que tem preciosidades", avalia. Embora feitos no final dos anos 1960 e, depois, de forma mais metódica, entre 1979 e 84, os polaroides só começaram a ser expostos nos últimos oito anos. Andrei Andreiévitch ainda espera levá-los à Rússia. Existe interesse, mas nada certo. Ele tem urgência.

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2012 | 03h03

"Por mais que a gente cuide e tente conservar esse material, ele é perecível." Polaroides são instantâneos. Com o tempo, as fotos desbotam e vão terminar desaparecendo. Esse mistério do tempo, que tanto atraía Tarkóvski em seu cinema, com certeza levou-o a escolher esse suporte para suas fotos. "Não existe negativo para a reprodução, é um material condenado." Vai chegar a um ponto em que essas fotos serão só lembranças - como as memórias que Andrei Andreiévitch guarda de seu pai.

A coleção completa compõe-se de 343 polaroides. Andrei Andreiévitch selecionou 80 para a exposição da Mostra e, dessas, 60 estão no livro/catálogo da Cosac Naify. Quatro compõem o pôster e deram origem à vinheta da Mostra. "A animação ficou muito simpática", ele diz. Para dar sobrevida aos polaroides, eles são conservadas sob rígidas condições de temperatura e luminosidade. 'Freddo e buio', frio e sombras, Andrei Andreiévitch define no seu italiano musical. Você precisa entrar na caverna de Tarkóvski, no Masp. Os polaroides são destaques da 36ª Mostra. / L.C.M. e F.G.

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