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A ARTE DE CRIAR COM VIDRO

CAMILA MOLINA - O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2013 | 02h 13

A artista plástica Debora Muszkat exibe série de obras realizadas com frascos de perfume

Para a artista Debora Muszkat, reciclagem é "forma de pensar e de vida". O conceito de transformar materiais e objetos descartados já faz parte de sua história criativa desde 1984, muito antes da onda sobre sustentabilidade que vemos tanto em voga nos últimos tempos. "Há uns cinco anos, começaram a falar de reciclagem, mas em 2012 virou uma lei as empresas terem de dar conta do seu lixo", afirma Debora, que abre amanhã uma mostra a convite de O Boticário, na qual realizou obras com cerca de 2 mil frascos de perfumes reaproveitados.

Já na entrada do Espaço Perfume Arte + História, em Perdizes, está a instalação Portal, um corredor feito com 14 tipos de frascos entrelaçados, convidando o visitante a passear por faixas de vidro transparentes e coloridos. Alguns estão em seu estado natural, colocados como são encontrados no mercado. Outros sofreram a intervenção da artista, que criou degradês de tonalidades ao pintá-los e colocá-los no forno. É uma composição que explora a leveza da ação de caminhar entre cores e reflexos de luz nos vidros. É, de certa forma, uma criação de raiz pictórica, criada em parceria com o pintor e gravador Gregório Gruber, que tem participação especial na mostra de Debora Muszkat.

Os dois artistas ainda fizeram outro trabalho juntos, o painel Idílio, em exibição no interior do Espaço Perfume Arte + História. Nessa obra, de 1,90 m X 1,40 m, um homem e uma mulher estão representados em uma espécie de mosaico suspenso, uma composição realizada com fragmentos de frascos e que recebe a incidência de luz artificial para promover reflexos da peça nas paredes. "O casal está envolvido pelos odores, por ondas de perfume", descreve Debora. No início, a inspiração foi o famoso quadro O Beijo, do austríaco Gustav Klimt (1862-1918). É uma peça que fica entre a abstração e a figuração, ornamentada com os restos de vidro e que tem fios com o desenho (na representação dos rostos do homem e da mulher e de resquícios de seus corpos).

A mostra Frascos de Arte, Perfume Eterno, que fica em cartaz até 21 de abril, é também uma oportunidade de se ver criações mais antigas de Debora Muszkat. Como uma luminária que a artista criou em 1986, com estrutura de metal e lâminas de vidro transparente e translúcido. "Entre 1984 e 1989, fazia obras que ficavam entre o design e a arte", conta Debora. Há ainda a aranha feita de frascos de vidro vermelho, Henriqueta; a escultura A Noiva, de 1995, que tem seu corpo feito com garrafas recortadas; e Repouso, peça de 1992/93 modelada a partir da técnica utilizada pelo designer francês René Lalique (1860-1945), célebre mestre vidreiro. A obra tem uma textura esbranquiçada devido ao uso do gesso que se mistura ao cristal.

Especializada em técnicas vidreiras pela faculdade Staffordshire Polytechnic, da Inglaterra, Debora Muszkat está preparando uma grande peça para ser instalada no Metrô São Bento. Como ela diz, sua arte é "transformar o que não está percebido".

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