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'Zootopia', da Disney, denuncia machismo e preconceitos raciais e sociais

Filme pode ser visto como uma metáfora da sociedade humana

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AFP

17 Março 2016 | 15h53

Podemos nos tornar o que queremos ou estamos condicionados por nossas origens e convenções sociais? Com "Zootopia - Essa cidade é o bicho", seu novo filme de animação, a Disney transpõe para o mundo animal alguns dos questionamentos humanos, e sacode com humor seus preconceitos.

"Estávamos determinados a fazer uma comédia animal, mas ao realizar as pesquisas, descobrimos que tínhamos uma oportunidade de abordar uma questão importante, sob o pretexto de uma certa leveza de tom", explica Byron Howard ("Rapunzel", "Volt") que co-dirigiu com Rich Moore ("Os Simpsons"), o novo filme de animação da Disney, que estreia nesta quinta-feira no Brasil.

Para alcançar o objetivo, os autores utilizam o antropomorfismo que permite dar voz, pensamentos e sentimentos aos animais que vivem em uma sociedade semelhante à nossa. O processo já havia sido usado há mais de três séculos por um certo Jean de La Fontaine.

Esta sociedade é Zootopia, uma cidade como nenhuma outra, moderna e regulada, onde os animais vestem roupas, usam telefones celulares e ficam de pé apesar de terem quatro pernas. Há bairros ricos, outros menos, e cada habitante vive em harmonia com o seu vizinho. Entre eles, há Judy Hopps, uma adorável coelha que veio do campo com a intenção de cumprir o seu destino: integrar a polícia da cidade.

Ambiciosa e um pouco presunçosa, Judy vai enfrentar a dura realidade que em Zootopia apenas os "machos" elefantes, hipopótamos ou rinocerontes podem ser policiais. E mesmo que as suas qualidades excepcionais tenham permitido que se formasse major na academia de polícia e integrasse o comissariado central, seu superior, um búfalo misógino, confina a coelhinha ao papel de coadjuvante.

"Judy está enfrentando muitos obstáculos, mas ela é muito determinada. Ela não vai deixar nada ficar em seu caminho. E vai perceber que ser uma coelha lhe dá certas vantagens", afirma Rich Moore. Determinada a provar o seu valor, a nossa Sherlock Holmes com orelhas grandes não hesitará em se aliar a Nick Wilde, uma raposa cínica, para embarcar em uma investigação perigosa.

Metáfora. O machismo, a discriminação, o preconceito racial e social são habilmente denunciados nesta comédia hilariante que pode ser vista como uma metáfora da sociedade humana em geral, e da América em particular.

"Nosso lema é nunca dar lição de moral, mas mostrar as coisas. Desta forma, utilizamos os lugares comuns sobre as espécies e as suas relações", explica Jim Reardon, o roteirista. "Tentamos nos focar nos estereótipos relacionados aos animais - a memória de elefante, a esperteza da raposa, a timidez di coelho. Cada luta contra uma imagem pré-concebida que cola à pele. E eu acredito que o público vai se reconhecer neste conceito", afirma Josie Trinidad, que também colaborou com o roteiro.

"Zootopia" é também o arquétipo do "filme de amigos", gênero que consiste em colocar em cena dois personagens totalmente opostos. Neste caso, o par coelho-raposa é diabolicamente eficaz e alguns personagens secundários são impagáveis. Principalmente Flash, o funcionário público particularmente lento, que não é nada mais senão... uma preguiça.

No mundo de "Zootopia", a cantora pop star é uma gazela e é Shakira que empresta sua voz. Vasto e complexo, o universo do filme é povoado por cerca de sessenta espécies. "Tivemos cerca de 18 meses de extensa pesquisa sobre a vida selvagem. Estudamos como os mamíferos interagem na natureza e a hierarquia que rege os diferentes grupos", diz Byron Howard. "E descobrimos que a maioria dos animais -90% - são presas e apenas 10% deles são predadores", diz ele.

 

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