Stefan Wermuth
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Viggo Mortensen apoia luta do cinema na Argentina contra Macri

"Assim, Macri, Avelluto (ministro da Cultura) e todos os fanfarrões neoliberais, parem de encher o saco. Não à destruição do cinema argentino", disse o ator

Reuters

20 Abril 2017 | 12h17

O célebre ator Viggo Mortensen declarou apoio aos apelos da indústria cinematográfica da Argentina para manter o financiamento à produção local em um vídeo crítico divulgado na quarta-feira no qual chamou o presidente Mauricio Macri de "fanfarrão neoliberal".

Diretores, atores e produtores locais de cinema denunciaram em vários protestos nesta semana que o governo, que busca reduzir o déficit fiscal depois de anos de políticas assistenciais de centro-esquerda, pretende cortar o financiamento que a produção nacional recebe há anos através de um fundo de fomento.

"Os sistemas de apoio estatal ao cinema em países como Argentina e França são exemplos únicos e exitosos de fomento cultural, são admirados em todo o mundo", começa dizendo Mortensen em um vídeo publicado na quarta-feira na conta de Twitter da Associação Argentina de Atores.

Mas o artista norte-americano --que em sua infância morou vários anos na Argentina-- imediatamente eleva o tom de sua queixa: "Assim, Macri, Avelluto (ministro da Cultura) e todos os fanfarrões neoliberais, parem de encher o saco. Não à destruição do cinema argentino".

O apelo teve início na semana passada, quando o ministro Pablo Avelluto pediu a renúncia do titular do Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais (Incaa), Alejandro Cacetta, por suspeitas de irregularidades no manejo de gastos, algo que foi rejeitado de imediato pela comunidade cinematográfica local.

Uma fonte do Ministério da Cultura disse à Reuters que o governo só quer tornar a Incaa transparente e que não tem nenhuma intenção de modificar o fundo de fomento ao cinema.

Mas os representantes da indústria local afirmam que esse Fundo, nutrido por impostos sobre os ingressos de cinema e por tributos pagos pelas operadoras de TV a cabo, irá diminuir devido a uma Lei de Comunicações Convergentes que o governo está tentando aprovar e que desviaria o destino de parte destes encargos.

"O cinema argentino se autofinancia e é uma fonte de orgulho para todos os argentinos", afirma Mortensen, que neste ano foi indicado a um Oscar por seu papel de pai pouco convencional em "Capitão Fantástico", no vídeo de curta duração.

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