Festival É Tudo Verdade
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Tyrell Spencer mostra decadência de metrópoles brasileiras e estrangeiras em 'Cidades Fantasmas'

Filme vai virar série no Canal Brasil

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2017 | 20h04

Em Cidades Fantasmas, o gaúcho Tyrell Spencer estuda quatro cidades que um dia se tornaram inabitadas. Huberstone (Chile), antigo centro produtor de salitre. Fordlândia, no Pará, com seu auge no ciclo da borracha e depois foi abandonada pela empresa norte-americana. Armero, na Colômbia, devastada pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz, em 1985. E Epecuén, antigo balneário argentino, destruído pela inundação do seu lago de águas medicinais. 

Em cada uma dessas tragédias pode ser visto o encontro de uma fatalidade com a imprevidência das autoridades. Técnicas malsucedidas, como o desvio de um rio para abastecer o lago de Epecuén em tempo de seca. Ou falta de aviso do perigo iminente, como no do vulcão de Armero. Ou fim de ciclos econômicos, como o da salitre e o da borracha, não acompanhados do atendimento a populações entregues à própria sorte. 

Além dos bons depoimentos, Spencer se vale de uma filmagem intimista, a percorrer as ruínas em labirinto, como a câmera a lembrar de O Ano Passado em Marienbad, o clássico de Alain Resnais sobre o tempo. Cidades Fantasmas é também sobre isso, a voragem do tempo, que tudo leva. O filme vai ganhar o formato de série no Canal Brasil, incluindo outras cidades em condições semelhantes. 

Curta. Festejo Muito Pessoal, de Carlos Adriano, adota o mesmo título do último artigo de Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977). Nele, o crítico, professor da USP e criador da Cinemateca Brasileira, enumera alguns velhos filmes de sua preferência. Logo no começo do curta, mesmo Paulo Emílio dá início a uma entrevista com o poeta italiano Ungaretti, mas é apenas um fragmento. O filme se perdeu. Adriano trabalha de fato no fragmento, na perda. Com trechos de filmes citados por Paulo Emilio em seu artigo e outros que entram por afinidade ele constrói sua obra: O Atalante, Zero de Comportamento e A Propósito de Nice, todos de Jean Vigo, e também Aitaré da Praia e Limite, de Mário Peixoto. Busca a estrutura na repetição, em gestos que rimam e dançam ao som de motivos brasileiros. Uma poesia para essa maravilhosa arte frágil que é o cinema. 

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