Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

Troca na Ancine tem fundo político e constantes reclamações com trabalho de Debora Ivanov

Substituição no cargo de diretor-geral da Agência nacional do Cinema (Ancine) foi oficializada na quarta-feira, 3

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 17h09

BRASÍLIA - A substituição de Debora Ivanov por Christian de Casto Oliveira no cargo de diretor-geral da  Agência Nacional do Cinema (Ancine), oficializada nesta quarta-feira, 3, pelo presidente Michel Temer, busca solucionar uma série de reclamações que se arrastavam contra a então diretora-geral.

No Planalto, a avaliação de que, além da ligação de Débora com partidos de oposição, como o PCdoB, ela estava trabalhando uma série de procedimentos na agência e inviabilizando o trabalho. Segundo fontes, várias resoluções que já haviam sido aprovadas em conselhos e comitês audiovisuais não foram implementadas por “incompetência” da então comandante do cargo.

Ao Broadcast Político, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, prefere não fazer declarações contra Débora e exaltar a nomeação de Christian. “É uma troca positiva para o setor. O Christian conhece bem o mercado, tem competência comprovada na área e amplo apoio do setor”, afirmou o ministro, que ressaltou que recebeu diversos documentos de entidades da área manifestando apoio à troca.

Oliveira é formado em Engenharia de Produção Mecânica pela Universidade Paulista (Unip) e em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), pós-graduado em Film & Televison Business pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem mais de 18 anos de experiência acadêmica e profissional no setor audiovisual. A indicação de Oliveira para o cargo de diretor da Ancine foi aprovada em outubro do ano passado pelo Senado. O mandato dele como presidente da agência vai até 19 de outubro de 2021.

Leitão rechaçou que a saída de Débora tenha a ver com a denúncia, revelada pelo Estado, que acusa uma empresa de TV a cabo e duas produtoras de usarem indevidamente dinheiro público na produção de seriados. Uma das empresas acusadas é a Gullane Entretenimento, que na época da suposta irregularidade era comandada por Debora Ivanov.

“A saída dela não tem relação com isso, até porque há a presunção da inocência e se trata apenas de uma denúncia, que defendemos a apuração”, salientou o ministro.

Agenda. Sá Leitão esteve hoje com o presidente Michel Temer e afirmou que os dois conversaram rapidamente sobre a Ancine e sobre a troca. "Vim compartilhar com o presidente o resultado do programa Rio de Janeiro a Janeiro que visa estimular o turismo na cidade." Antes de chegar a pasta, o ministro foi secretário municipal de cultura na gestão de Eduardo Paes.

Segundo o ministro, o réveillon do Rio de Janeiro este ano teve um aumento de 19% no impacto na economia e 11% do número de turistas.

Além disso, Sá Leitão trouxe ao presidente os números fechados da pasta no ano passado. “Chegamos ao fim do ano com um funcionamento muito bom, com uma execução orçamentária de R$552 milhões. Vim fazer essa prestação ao presidente”, disse. 

 

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